As Aventuras de Pi

As Aventuras de Pi | Life of PiDurante o primeiro ato de “As Aventuras de Pi”, filme baseado no romance homônimo do canadense Yann Martel, o jovem Pi Patel (na maior parte da história vivido pelo estreante Suraj Sharma) parece incompleto espiritualmente. Passou sua infância e adolescência buscando uma crença, mas não conseguiu se encaixar em nenhuma. Simplesmente não encontrou as respostas para todas as suas dúvidas. Ou encontrou, mas não acreditou que elas fossem suficientemente convincentes para fazê-lo seguir uma doutrina.

“As Aventuras de Pi” entra assim para o segundo ato com uma reviravolta trágica. Herdeira de um zoológico na Índia, a família de Pi decide transportar todos os animais de navio para o Canadá, pois visualiza um investimento mais próspero em outro país. Não é revelar um segredo se dissermos que o plano não saiu como o esperado, pois uma tormenta surge e Pi é o único da tripulação a sobreviver.

Dentro de um barco, Pi se depara com a presença de quatro animais: uma zebra, uma hiena feroz, um orangotango e o majestoso tigre de bengala Richard Parker. Como o instinto de sobrevivência não é apenas um privilégio para nós, seres humanos, estas criaturas se rebelam até restarem apenas Pi e Richard Parker. No meio do mar e sem nenhum recurso para clamar por socorro, o protagonista precisará seguir com três táticas: bolar artimanhas para se alimentar enquanto não chega a terra firme, domar Richard Parker e reunir fé para sair com vida desta situação.

Durante os anos 1990, Ang Lee iniciou sua carreira e rapidamente fez seu nome forte e respeitável na indústria de cinema através de dramas que possibilitavam plena identificação com personagens que viviam vários dilemas, a exemplo de “Tempestade de Gelo” e “Banquete de Casamento”. Já na década passada, ganhou o mundo com “O Tigre e o Dragão”, produção tailandesa que evidenciou o grande apuro estético do cinema oriental. Frustrou a todos quando investiu novamente neste esmero visual no esquizofrênico “Hulk” e agora volta a arrebatar em “As Aventuras de Pi”.

Intensificadas pela tecnologia 3D, as cenas de “As Aventuras de Pi” parecem representar um novo universo em que Pi e Richard Parker se situaram. Céu e mar se confundem a todo o momento e há ainda outras criaturas da natureza que impressionam ao invadirem a tela. Tanta beleza, entretanto, se anularia se não estivesse sintonizada a um objetivo claro. E assim, ao seguir para a etapa final da história, Ang Lee entrega uma obra-prima.

Ao voltar a dar destaque para a figura já amadurecida de Pi (fase em que o fantástico Irrfan Khan defende), um senhor que conta este evento real de sua vida a um jornalista (Rafe Spall) em busca de uma grande história, “As Aventuras de Pi” lança o velho embate entre fé e incredulidade, um tema tratado sem a seriedade necessária no cinema contemporâneo. Ao oferecer duas possibilidades para a história em que Pi narra, Ang Lee não deixa ninguém indiferente e preenche com convicção o mesmo vazio que o protagonista experimentara ao sobreviver no naufrágio. Um debate examinado com uma perícia poucas vezes alcançada.

Título Original: Life of Pi
Ano de Produção: 2012
Direção: Ang Lee
Roteiro: David Magee, baseado no romance homônimo de Yann Martel
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Ayush Tandon, Gautam Belur, Adil Hussain, Tabu, Ayan Khan, Mohd Abbas Khaleeli, Vibish Sivakumar, Rafe Spall e Gérard Depardieu

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11 Respostas para “As Aventuras de Pi

  1. Um dos meus filmes favoritos do ano passado e que propõe uma discussão pra lá de interessante, não só sobre espiritualidade, mas, principalmente, sobre humanidade, sobre o caráter humano. O Ang Lee fez um filme lírico, excelente do ponto de vista técnico e que nos cativa e emociona como poucos.

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