J. Edgar

J. EdgarConhecido como J. Edgar, John Edgar Hoover fez história. Graduado em Direito, John iniciou sua carreira no Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Sua ambição o fez evoluir rapidamente até se tornar diretor do FBI, cargo que passou a ocupar até sua morte em 1972. “J. Edgar” é uma cinebiografia de John Edgar Hoover e o diretor Clint Eastwood e o roteirista Dustin Lance Black (que venceu o Oscar por “Milk – A Voz da Igualdade”) desejam ir além dos altos e baixos profissionais dessa figura real.

Ainda que a vida privada de John Edgar Hoover permaneça um mistério, Dustin Lance Black não tem receios ao tratar como fato as suspeitas quanto a sua orientação sexual. Interpretado por Leonardo DiCaprio, J. Edgar mostra-se aqui um homem muito próximo de sua mãe Annie (Judi Dench) e um fracassado diante de todas suas investidas amorosas em mulheres, o que inclui Helen Gandy (Naomi Watts), uma jovem que prefere investir em seu crescimento profissional como sua secretária do que abraçar uma vida convencional como esposa.

Como responsável pela interrupção das ações de inimigos públicos como o gângster John Dillinger, J. Edgar passou a ser tratado como um homem de respeito e encontrou em Clyde Tolson (o excelente Armie Hammer, que fez os gêmeos de “A Rede Social”) o braço-direito ideal para conduzir sua vida e trabalho.

Quando a narrativa se dedica em focar o relacionamento de J. Edgar e Clyde Tolson, consumado de maneira pudica, passamos a desvendar os tormentos internos do personagem-título. Mesmo que isto garanta atenção, sente-se que o John Edgar Hoover imaginado aqui não é o mais adequado. O filme apenas pincela episódios marcantes na vida profissional de J. Edgar, como sua grande colaboração para a prática de coleta e arquivamento de impressões digitais em cenas de crime e as polêmicas mantidas ocultas durante as quase quatro décadas que durou o seu mandato como diretor do FBI. Ao invés de dedicar mais tempo a esmiuçar tudo isto, “J Edgar” se arrasta encenando a última etapa de sua vida evitando os holofotes, o que culmina em um terceiro ato em que todo o elenco central é submetido a uma vergonhosa maquiagem de envelhecimento.

Título Original: J. Edgar
Ano de Produção: 2011
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Dustin Lance Black
Elenco: Leonardo DiCaprio, Armie Hammer, Naomi Watts, Judi Dench, Josh Lucas, Josh Hamilton, Geoff Pierson, Ed Westwick, Jessica Hecht, Ken Howard, Jeffrey Donovan, Denis O’Hare, Kyle Eastwood, Jamie LaBarber e Dermot Mulroney

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6 Respostas para “J. Edgar

  1. O filme em si é interessante, mas realmente seria difícil abordar uma vida em tão pouco tempo. Clint Eastwood é mestre neste tipo de trabalho, aqui ele está à vontade e seu elenco segue o mesmo caminho. Leonardo Dicaprio convence bastante e todo o elenco de apoio mostra sintonia.
    Abs!

    • Weiner, dar conta da vida de um personagem em duas horas é um grande desafio, mas possível de ser realizado, como se viu em inúmeras cinebiografias. Clint Eastwood é um diretor mais do que habilidoso para lidar com esse tipo de drama. Acredito que o problema se concentra mais no texto do Dustin Lance Black mesmo. Abraço,

  2. Confesso que esperava um filme pior, considerando o meu desprazer atual com os filmes de Eastwood e sua veia ultra sentimental. Mas até gostei do filme, apesar dos excessos e da confusão de como algumas informações são dadas ao espectador.

    No mais, gostei da estrutura que o roteiro foi elaborado e da atuação de DiCaprio. Agora, a maquiagem, como você bem diz, é padrão As Branquelas de qualidade. É látex puro no rosto dos atores, uma vergonha aquilo. Mas o filme não é de todo o ruim, bacaninha; porém, pela história tão interessante, deixou a desejar. (***)

    Abs.

    • Elton, com exceção do tedioso “Invictus”, gosto dos trabalhos recentes de Eastwood, especialmente “Gran Torino”, que é um dos melhores filmes de toda a carreira dele como ator e diretor. Gosto de “J. Edgar”, a figura real é retratada com interesse. No entanto, não há como negar que o trabalho de maquiagem é mesmo comprometedor, dificultando para nós comprarmos o último ato do filme. Abraços.

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