Dredd

Criada por John Wagner e Carlos Ezquerra, a graphic novel “Judge Dredd” tem uma legião de fãs em todo o mundo. Ambientada na Inglaterra, a história apresenta um cenário futurístico em que a lei é ditada pelos Juízes, policiais que visam manter o controle de uma sociedade decadente e marginalizada. Domados de armas e equipamentos modernos, os Juízes parecem criaturas robóticas. Não à toa, usam um capacete que jamais é removido durante o trabalho.

Esta interessante premissa ganhou em 1995 uma versão cinematográfica deprimente. Conduzido por Danny Cannon (um dos principais nomes por trás na nova versão do seriado “Nikita”), “O Juiz” transformou o material original em piada, contando com Sylvester Stallone vivendo um herói convencional. Infelizmente, a mancha deixada por “O Juiz” provavelmente espantou o público para conferir “Dredd”. Embora esta mais recente versão respeite conteúdo e violência pesadas da graphic novel, foi um fracasso comercial.

Pete Travis mostrara a que veio já em sua estreia como diretor de longa-metragem. É dele “Ponto de Vista“, tenso thriller que mostra as perspectivas de inúmeros personagens envoltos a um atentado contra o presidente dos Estados Unidos. Em “Dredd”, Travis se mostra um realizador mais visual ao orquestrar cenas muito violentas, mas inegavelmente belas.

Desta vez, o capacete do Juiz Dredd coube a Karl Urban, eficiente em um figurino que não lhe exige evidenciar seu escasso talento dramático. O local da ação é Mega City One, metrópole dominada por ladrões e traficantes que comercializam uma droga chamada Slo-Mo, que permite aos seus usuários experimentarem intensamente cada fração de segundo. Ao treinar Cassandra Anderson (Olivia Thirlby, surpreendente), jovem novata com poderes psíquicos, Dredd segue ao encontro de Ma-Ma (Lena Headey, excelente), ex-prostituta e agora a ameaçadora responsável pela circulação do Slo-Mo.

Constante colaborador de Danny Boyle, o roteirista Alex Garland não permite que “Dredd” alce voos mais altos ao decidir fazer uma introdução tão ágil ao ponto de não nos situarmos plenamente ao cenário imaginado. Há também o irritante hábito de desenvolver situações em que inimigos aproveitam todas as oportunidades de causar dano aos heróis ao entonarem patéticos discursos de vitória premeditada. Sem poder interferir no texto, Pete Travis compensa tais tropeços com sua imaginativa direção. São espetaculares os instantes em que o espectador testemunha o efeito proporcionado pelo Slo-Mo, o que inclui personagens abatidos por Dredd na maior lentidão possível.

Uma sequência seria bem-vinda para nos integrarmos melhor na dura luta do protagonista em fazer a justiça prevalecer, uma possibilidade que, dados os números baixos na bilheteria mundial, não deverá ser viabilizada pelos produtores da obra.

Título Original: Dredd 3D
Ano de Produção: 2012
Direção: Pete Travis
Roteiro; Alex Garland, baseado na graphic novel de Carlos Ezquerra e John Wagner
Elenco: Karl Urban, Olivia Thirlby, Lena Headey, Rachel Wood, Rakie Ayola, Tamer Burjaq, Warrick Grier, Wood Harris, Domhnall Gleeson, Joe Vaz, Scott Sparrow, Langley Kirkwood, Edwin Perry, Karl Thaning e Michele Levin

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4 Respostas para “Dredd

  1. Gostei muito desse filme, desde de já uma das surpresas do ano porque não esperava grande em coisa em conta da adaptação dos anos 90 e do pouco boca-boca sobre a obra. Um filme para ser descoberto e que tem chance de virar cult.

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