Alois Nebel

36ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Em duas ocasiões, o cineasta americano Richard Linklater manipulou a técnica do rotoscópio em dois longa-metragens em sua carreira, “The Walking Life” e “O Homem Duplo”. O procedimento consistiu em converter em animação as filmagens realizadas com atores de carne e osso. O resultado é impactante, mas há um risco: fazer um filme cujo visual contrapõe a narrativa. A produção tcheca “Alois Nebel”, que chegou a representar o país na última edição do Oscar, não foge à regra.

O personagem-título é um senhor que trabalha como despachante de uma estação ferroviária situada entre a Polônia e a Tchecoslováquia. Calado e antissocial, Alais é constantemente assombrado por fantasmas do passado até o momento em que perde a própria sanidade ao parar em um sanatório. Na alternância entre tempos, bem como o aparecimento de novos personagens secundários, desvendamos em Alais um indivíduo repleto de traumas não superados por conta de um episódio ocorrido em plena Segunda Guerra Mundial.

Embora ressalte que uma grande tragédia histórica sempre afetará as gerações seguintes, falta a “Alois Nebel” maior clareza no modo em como a história é contada. Não linear, ela também apresenta um personagem central cuja amargura impossibilita qualquer empatia, dificultando ainda mais o nosso interesse por algo além do visual, belo e soturno com todo o seu jogo de branco e preto, luz e sombra. Sabido que se trata de uma adaptação do livro em quadrinhos da dupla Jaroslav Rudiš e Jaromír 99, talvez “Alois Nebel” funcione melhor em seu formato original.

Título Original: Alois Nebel
Ano de Produção: 2011
Direção: Tomás Lunák
Roteiro: Jaromír Svejdík e Jaroslav Rudis
Elenco : Miroslav Krobot, Marie Ludvíková, Karel Roden, Leos Noha, Alois Svehlík, Tereza Vorísková, Ján Sedal, Miloslav Marsálek, Jirí Strébl, Marek Daniel, Klára Melísková, Jan Vondrácek, Karel Zima, Thomas Zielinski e Martin Mysicka

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2 Respostas para “Alois Nebel

  1. Não conhecia esse filme. Assistiria por se tratar de um filme com uma técnica de filmagem interessante, mas confesso que seu texto não aguçou muito a minha curiosidade em relação à “Alois Nebel”.

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