Chamada a Cobrar

36ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Uma das piores coisas que pode acontecer a uma mãe é ser surpreendida por uma ligação telefônica em que a pessoa do outro lado da linha diz, em tom de voz ameaçador, que acaba de sequestrar o seu filho. Temendo pela integridade de um membro da própria família, resta a esta mãe cumprir exatamente com todas as exigências do sequestrador.

Em uma interpretação que cresce ao longo do filme, Bete Dorgam faz Clarinha, uma senhora da classe alta paulistana que leva uma vida fútil em sua aconchegante residência. Mesmo nas realizações mais banais do cotidiano, Clarinha recorre à empregada. Sua vida vira ao avesso a partir do momento em que recebe uma ligação de um sujeito (Pierre Santos) que se apresenta como sequestrador e que diz ter a sua filha mais nova e diabética (Maria Manoella) como refém.

Fora da segurança de sua casa, Clarinha parece participar pela primeira vez de algo realmente perigoso, pois está disposta a fazer tudo pela sua filha. Primeiro desembolsa R$500,00 para converter em créditos para todas as operadoras de telefonia móvel disponíveis. Depois, fornece todos os dados de suas contas bancárias. Por fim, segue para o Rio de Janeiro para chegar ao cativeiro em que sua filha está.

Antes que mais exigências sejam feitas ao longo dessa viagem de carro, o público já sacou há um bom tempo: Clarinha está sendo vítima de falso sequestro. Porém, a gente finge que está tudo bem, pois são hilários os constrangimentos que a personagem protagoniza no que acredita ser um mal necessário para salvar a sua filha, que por sua vez a taxa de burra por ter caído direitinho no trote.

Realizadora do surpreendente “É Proibido Fumar”, Anna Muylaert converte em longa-metragem o telefilme “Para Aceitá-la Continue na Linha”, de 2009. Com clima de road movie, “Chamada a Cobrar” se sustenta na tela grande porque não concentra sua narrativa apenas em ambientes fechados.

Sente-se que a produção está um pouco deslocada para o momento em que é mostrada ao público, pois já se foi aquele período em que os falsos sequestros, planejados por marginais encarcerados, se tornaram uma das maiores preocupações da sociedade brasileira. Por outro lado, “Chamada a Cobrar” se aproveita dessa interação entre vítima ingênua e falso sequestrador para expor um debate esperto sobre a desigualdade social. Este tópico, infelizmente, é mais atual do que nunca e está longe de ser solucionado.

Título Original: Chamada a Cobrar
Ano de Produção: 2012
Direção: Anna Muylaert
Roteiro: Anna Muylaert
Elenco: Bete Dorgam, Maria Manoella, Pierre Santos, Cida Almeida, Marat Descartes, Joaquim De Souza, Regina França, Tatiana Thomé, Paula Pretta e Lourenço Mutarelli

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