O Despertar

Quando bem escrito e dirigido, um horror fantasmagórico funciona porque ele atinge um ponto sensível no espectador, aquele em que ele não há como provar o que lhe aguarda no plano espiritual. Após morrermos, desaparecemos? Continuamos habitando a Terra de outra maneira? Existe um lugar chamado Paraíso e outro Inferno em que as nossas almas habitarão para todo o sempre? Filmes ainda recentes como “O Sexto Sentido” e “Os Outros” são irretocáveis justamente por apresentarem uma resposta mais do que coerente para compreendermos este mistério que ronda o fim de nossa existência. “O Despertar” até tenta, mas não chega ao mesmo patamar.

Em 1921, a jovem viúva Florence Cathcart (Rebecca Hall, sempre talentosa) vive de desmascarar charlatões que afirmam se comunicarem com os mortos. Os seus métodos são tão comentados que Robert Mallory (Dominic West), um homem tímido e gago, lhe faz um convite para desvendar se há mesmo um espírito com más intenções em um colégio interno em Rookford. Conforme soluciona o mistério, Florence se depara com fenômenos que vão além de sua compreensão.

O cineasta estreante Nick Murphy é talentoso e realiza sequências que provocam calafrios. É particularmente criativo o momento em que Florence observa os cômodos de uma réplica em miniatura do colégio, com bonecos posicionados de uma maneira como se anunciasse previamente as ações de um espírito cuja presença desacredita.

O que compromete “O Despertar” são as reviravoltas que enfraquecem a convicção de sua personagem. O que garante força ao suspense é a postura firme de Florence diante do sobrenatural e por isto mesmo é triste ver a partir da metade da narrativa a apresentação de eventos de um passado familiar traumático, dando ao filme um tom totalmente distinto daquele visto em seu primeiro ato.

Título Original: The Awakening
Ano de Produção: 2011
Direção: Nick Murphy
Roteiro: Nick Murphy e Stephen Volk
Elenco: Rebecca Hall, Dominic West, Imelda Staunton, Lucy Cohu, John Shrapnel, Diana Kent, Richard Durden, Alfie Field, Tilly Vosburgh, Ian Hanmore, Cal Macaninch, Isaac Hempstead Wright, Anastasia Hille, Andrew Havill e Joseph Mawle

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2 Respostas para “O Despertar

  1. Adoro a Rebecca Hall. Curioso, em relação a ela, é que eu pensava que a carreira dela iria desabrochar depois de “Vicky Cristina Barcelona”, mas não parece ter sido isso a acontecer. Ela me parece gostar mais de projetos menores, como esse, que parece ser bem legal, apesar das muitas reviravoltas de roteiro que são comuns a filmes desse gênero. Anotei a dica!

    • Kamila, pois penso o contrário. Só o fato dela se envolver em projetos pequenos e com qualidade singular já me faz acreditar que ela está desenvolvendo uma ótima carreira. Sugiro que você confira o desempenho dela em “Sentimento de Culpa” e “Pronto Para Recomeçar”, em que ela está simplesmente maravilhosa.

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