O Espião Que Sabia Demais

Quando o escritor britânico Ian Fleming criou James Bond, provavelmente não imaginava o quão popular seria o modelo de espião que o personagem representa. James Bond é um personagem rodeado tanto de mulheres estonteantes quanto vilões com planos mirabolantes. Sem dizer que suas missões parecem mais divertidas do que ameaçadoras, pois ele sempre tem a disposição poderosas ferramentas de trabalho, como carros luxuosos e armas modernas.

Em “O Espião Que Sabia Demais”, o cineasta sueco Tomas Alfredson (de “Deixe Ela Entrar” e em seu primeiro trabalho falado em inglês) adapta um famoso romance de John le Carré que vai de encontro com todos os artifícios defendidos na obra de Ian Fleming. Não há em “O Espião Que Sabia Demais” um personagem como James Bond ou uma grande aventura. Aqui, o universo dos espiões se mostra burocrático e sem qualquer glamour.

Ambientado em 1973, palco da Guerra Fria, o filme inicia com a suspeita de que há no Serviço Secreto Inglês um agente duplo. As pistas são de que tal espião trabalha para o Centro de Moscou e, o mais importante, pode ser um dos agentes mais influentes da organização. Com a saúde debilitada, o chefe do Serviço Secreto Inglês (John Hurt) escala George Smiley (Gary Oldman, em interpretação indicada ao Oscar) para desmascarar e eliminar o agente duplo. Os suspeitos: Percy Alleline, o Funileiro (Toby Jones); Bill Haydon, o Alfaiate (Colin Firth); Roy Bland, o Soldado (Ciarán Hinds); Toby Esterhase, o Homem Pobre (David Dencik) e o próprio George, o Mendingo.

Mais do que desvendar a identidade do agente duplo no Serviço Secreto Inglês, “O Espião Que Sabia Demais” cria uma verdadeira teia de segredos e mentiras que levará George para caminhos desconhecidos. Uma teia também moldada por informações preenchidas por detalhes que podem fazer o espectador se desorientar facilmente. Atenção não é o único requisito básico para se ver “O Espião Que Sabia Demais”. Também é preciso uma firmeza que rapidamente se converte em exaustão, uma vez que a condução de Tomas Alfredson se mostra excessivamente fria. Um reflexo das ambições da história quanto ao moldar o retrato de um espião, sim, mas pouco adequada para uma trama de mistério.

Título Original: Tinker Tailor Soldier Spy
Ano de Produção: 2011
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: Bridget O’Connor e Peter Straughan, baseado no romance “O Espião Que Sabia Demais”, de John le Carré
Elenco: Gary Oldman, John Hurt, Mark Strong, Colin Firth, Ciarán Hinds, Toby Jones, Benedict Cumberbatch, Tom Hardy, Christian McKay, David Dencik, Kathy Burke, Stephen Graham, Arthur Nightingale, Simon McBurney e Amanda Fairbank-Hynes
Cotação: 2 Stars

Anúncios

7 Respostas para “O Espião Que Sabia Demais

  1. Assisti a este filme recentemente e gostei muito. O trabalho de adaptação faz com que este longa seja MUITO melhor que o livro do John Le Carré. Achei a direção elegante, a reconstituição de época muito bem feita. Uma obra muito boa de se acompanhar, enfim…

  2. Olha, eu acho bem adequado esse clima soturno porque permanece no ar o suspense, enquanto a gente vai montando o quebra-cabeça da investigação, ao mesmo tempo em que é um filme super humanista. Considero um filme de espionagem bem especial.

  3. Pingback: Millennium II – A Menina Que Brincava com Fogo | Cine Resenhas·

Opine!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s