W.E. – O Romance do Século

No cinema, a decisão de uma cantora se tornar atriz é encarada com muito preconceito. O processo de interpretar diante das câmeras é muito distinto daquele de oferecer uma grande performance nos palcos. Poucas são as “cantrizes” que notam a distancia que há entre a arte do cinema com a arte da música e por isso pagam um mico que repercute mundialmente. Respectivamente vencedoras do Oscar por “Funny Girl – A Garota Genial” e “Feitiço da Lua”, Barbra Streisand e Cher são os únicos exemplos notáveis de cantoras que fizeram uma carreira cinematográfica de respeito.

A rainha do Pop Madonna tentou e fracassou inúmeras vezes ao investir no cinema. De nada adiantou protagonizar o ambicioso musical “Evita” e trabalhar com cineastas como Woody Allen, Spike Lee e Abel Ferrara se ao mesmo tempo estampava seu nome nos cartazes de produções risíveis como “Quem É Essa Garota?” e “Corpo em Evidência”. Porém, se há algo que podemos admirar em Madonna é sua persistência. Tão inabalável que a levou a investir na carreira de diretora e roteirista. Mesmo não sendo mais do que regular, há inegáveis qualidades em “Filth and Wisdom” (conhecido como “Sujos e Sábios” no Brasil), seu primeiro filme por trás das câmeras. Agora, Madonna retorna mais ambiciosa em “W.E. – O Romance do Século”.

Com o auxílio de Alek Keshishian (que a dirigiu no documentário “Na Cama com Madonna”), Madonna cria duas histórias românticas em “W.E. – O Romance do Século”. A primeira – verídica – mostra Edward VIII (James D’Arcy), então príncipe de Gales, abdicar a coroa em troca de Wallis Simpson (Andrea Riseborough), sua amante americana. A segunda – tão fictícia que parece um conto de fadas – tem Wally Winthrop (Abbie Cornish, de “O Brilho de Uma Paixão”) como a protagonista fascinada pela vida de Wallis Simpson e infeliz com os rumos que o seu casamento com o cafajeste William (Richard Coyle) levou.

Com “O Discurso do Rei” ainda fresco em nossa memória, “W.E. – O Romance do Século” serviria como um bom complemento ao filme de Tom Hopper, uma vez que a renúncia de Edward VIII não era o acontecimento principal do filme, mas sim o empenho de George em assumir o trono. Porém, Madonna não está minimamente interessada nisto. O foco de “W.E. – O Romance do Século” é Wallis e o que ela teve que abdicar para assumir sua paixão por Edward VIII: a liberdade e controle da própria existência. Compreender a dimensão dessa decisão é o que motivará Wally a enfim recomeçar sua vida.

Se há algo em “W.E. – O Romance do Século” que não dá para negar é o apuro de Madonna para formar uma equipe de respeito. Além das protagonistas (ambas em boas interpretações), Madonna selecionou o diretor de fotografia alemão Hagen Bogdanski (“A Vida dos Outros”), o compositor polonês Abel Korzeniowski (“Direito de Amar”), o designer inglês Martin Childs (“Shakespeare Apaixonado”) e a figurinista americana Arianne Phillips (em trabalho merecidamente indicado ao Oscar). Ainda assim, não é o suficiente. Madonna simplesmente anula a força de suas duas histórias ao interagi-las durante duas horas exaustivas. Sem dizer a redundância de sua direção, com planos que se repetem inúmeras vezes (as portas que se abrem para a câmera adentrar um cômodo privado, corredores escuros que representam a jornada amorosamente sofrida de suas protagonistas et cetera). Se Madonna sonha em ter uma carreira de prestígio como cineasta, precisará amadurecer muito.

Título Original: W.E.
Ano de Produção: 2011
Direção: Madonna
Roteiro: Alek Keshishian e Madonna
Elenco: Abbie Cornish, Andrea Riseborough, James D’Arcy, Oscar Isaac, Richard Coyle, David Harbour, James Fox, Judy Parfitt, Haluk Bilginer, Geoffrey Palmer, Natalie Dormer, Laurence Fox, Douglas Reith, Katie McGrath e Christina Chong
Cotação: 1 Star

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13 Respostas para “W.E. – O Romance do Século

  1. A parte técnica deste filme, com certeza, é o melhor elemento de “W.E.”. Acredito, no entanto, que a forma com que a história é contada é o grande calcanhar de Aquiles de “W.E.”. Gostei MUITO também da atuação da Andrea Riseborough.

  2. Olha, eu até pensei que seria um filme pior, mas ainda assim tá abaixo da média. Minha maior bronca com o filme (e com a direção da Madonna) é que não parece haver um conceito muito bem definido do como filmar. Às vezes o resgistro é mais intimista, outros mais expansivo. Fora os lugares comuns das histórias românticas. E apesar de adorar a Abbie Cornish, a história do rei Edward e da Wallis Simpson (o verdadeiro romance do século) é infinitamente melhor e mais interessante. De fato, a cantora pop não tá conseguindo (nunca conseguiu) investir bem na carreira cinematográfica.

    • Rafael, até aguardava com alguma esperança por este filme, pois não acho o primeiro filme da Madonna como diretora ruim. E compreendo muito bem o que você quis dizer sobre essa indefinição de caminhos a seguir que há no filme. Realmente, ela existe e compromete demais o resultado.

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