Indicados ao Independent Spirit Awards 2012 – Comentários e Apostas

Hoje a noite acontecerá a premiação do 27º Independent Spirit Awards. Como de costume, o evento é apresentado um dia antes do Oscar e premia o que há de melhor dentro do cinema independente. Como fã do Independent Spirit Awards, decidi pela primeira vez aqui no blog comentar os filmes indicados em alguma categoria, realizando na última semana uma verdadeira maratona com todos os títulos já disponíveis para avaliação.

Assim como qualquer outra premiação cinematográfica, o Independent Spirit Awards tem suas regras. A mais importante delas é que uma produção só pode receber alguma indicação caso rodada com orçamento inferior a 20 milhões de dólares. Entre outros requisitos, o filme deverá ter duração mínima de setenta minutos e ter sido exibido ou no circuito comercial ou em festivais como o Sundance, Toronto e Los Angeles entre 1 de janeiro e 1 de dezembro.

Na edição do ano passado, “Cisne Negro” foi o filme que mais se destacou, ganhando prêmios em todas as categorias na qual foi indicado: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia e Melhor Atriz para Natalie Portman. Neste ano, as expectativas de consagração estão concentradas em “O Artista” e “O Abrigo”, recordistas em indicações.

Acompanhe a seguir minhas breves impressões sobre as principais categorias do Independent Spirit Awards e as minhas apostas (em negrito). Uma vez com a lista de vencedores em mãos, farei uma postagem sobre cada uma das escolhas. Ah, e amanhã sairá meus comentários sobre os indicados ao Oscar. Fiquem de olho! ;-)

MELHOR FILME

50% | Drive | O Abrigo | O Artista | Os Descendentes | Toda Forma de Amor

Todos os seis finalistas na categoria principal foram aclamados pela crítica e público quando lançado nos cinemas, o que ao contrário do Oscar não deverá render muitas queixas. Apenas “O Abrigo” e “Toda Forma de Amor” não se tornaram grandes êxitos de bilheteria dados o circuito limitado e a concorrência sempre devastadora. Particularmente, considero apenas “O Artista” como um filme excepcional presente nesta lista e não há dúvidas de que o evento dará à produção o prêmio máximo.

MELHOR DIRETOR

Alexander Payne | Os Descendentes
Jeff Nichols | O Abrigo
Michael Hazanavicius | O Artista
Mike Mills | Toda Forma de Amor
Nicolas Winding Refn | Drive

Nesta categoria há casos de direção tão boas que elas acabam elevando um roteiro nem sempre inspirado. É o caso do ritmo oferecido por Nicolas Winding Refn (melhor diretor em Cannes) em “Drive” e toda a sensibilidade que Mike Mills impõe ao dirigir o elenco central de “Toda Forma de Amor“. Melhor se sai Michael Hazanavicius, que conseguiu o feito impressionante de fazer nos dias de hoje um filme que realmente parece rodado entre a transição do cinema mudo para o sonoro. É provável que o francês saia vitorioso.

MELHOR ATOR

Demián Bichir | Uma Vida Melhor
Jean Dujardin | O Artista
Michael Shannon | O Abrigo
Ryan Gosling | Drive
Woody Harrelson | Rampart

A única presença questionável aqui é a de Ryan Gosling pelo seu limitado trabalho em “Drive” – o ator se sai melhor em “Tudo Pelo Poder”, novo filme dirigido por George Clooney que estranhamente não marcou presença em nenhuma categoria desta edição. Com exceção dele e de Woody Harrelson (cujo trabalho em “Rampart” não pude conferir), todos os outros intérpretes fazem jus as suas indicações. Jean Dujardin é o favorito absoluto, mas os desempenhos de Demián Bichir e Michael Shannon também se sobressaem. Ambos, inclusive, tiveram forte buzz para serem indicados ao Oscar neste ano e apenas Demián Bichir garantiu uma vaga, o que deverá impulsionar sua carreira.

MELHOR ATRIZ

Adepero Oduye | Pariah
Elizabeth Olsen | Martha Marcy May Marlene
Lauren Ambrose | Think of Me
Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn
Rachel Harris | Natural Selection

O Independent Spirit Awards se mostrou bem imprevisível aqui, celebrando dois trabalhos ainda inéditos nos cinemas, sendo os de Lauren Ambrose em “Think of Me” (exibido no Festival de Toronto) e Rachel Harris em “Natural Selection” (exibido no Los Angeles Film Festival). Assim, há nada menos do que três trabalhos que não pude conferir, já que “Pariah” permanece inédito no Brasil.  Nada que interfira muito, pois sem dúvidas Elizabeth Olsen e Michelle Williams são as favoritas da noite. Aos trinta e um anos, Michelle Williams atualmente é considerada uma musa do cinema independente e já soma cinco indicações ao Independent Spirit Awards e um Prêmio Robert Altman compartilhado com o elenco de “Sinédoque, Nova York”. Sua consagração deve se dar com o papel de Marilyn Monroe, mas é bom Michelle tomar cuidado com a arrasadora estreia de Elizabeth Olsen como atriz.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Albert Brooks | Drive
Corey Stoll | Meia-noite em Paris
Christopher Plummer | Toda Forma de Amor
John C. Reilly | Negócio Fechado
John Hawkes | Martha Marcy May Marlene

Às alturas com o sucesso de “Inverno da Alma” (filme que lhe rendeu ano passado o prêmio nesta categoria), John Hawkes novamente dá às caras pela sua incômoda participação em “Martha Marcy May Marlene“. Porém, não deve ter chances de ganhar outra vez, pois Christopher Plummer é quem está papando todos os prêmios da temporada como um homem que assume sua homossexualidade aos setenta e cinco anos de idade. É preciso novamente elogiar a premiação por mais uma inspirada seleção ao lembrarem do trabalho de Albert Brooks em “Drive“, a presença marcante de Corey Stoll em “Meia-noite em Paris” e o impagável John C. Reilly em “Negócio Fechado”, que tem nesta comédia um dos melhores diálogos do roteiro indicado na categoria de Melhor Primeiro Roteiro.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Anjelica Huston | 50%
Harmony Santana | Gun Hill Road
Janet McTeer | Albert Nobbs
Jessica Chastain | O Abrigo
Shailene Woodley | Os Descendentes

Sem dúvidas a categoria mais difícil de apontar uma vencedora. Harmony Santana é a surpresa da categoria e deverá ficar apenas com a indicação. O mesmo pode ser dito de Anjelica Huston, numa menção um tanto exagerado para um trabalho sem grande destaque em “50%“. Esnobada no Oscar, a jovem Shailene Woodley tem chances muito grandes para conquistar os votantes da premiação. Considero as performances de Janet McTeer e Jessica Chastain irretocáveis e ficaria feliz em ver qualquer uma das duas levar o troféu para casa.

MELHOR PRIMEIRO FILME

A Outra Terra | In the Family | Margin Call – O Dia Antes do Fim | Martha Marcy May Marlene | Natural Selection

Muitas produções não indicadas na categoria principal do Independent Spirit Awards conseguem uma segunda chance aqui caso tenha um diretor de primeira viagem. Embora “In the Family” e “Natural Selection” sejam produções que ainda não pude assistir, garanto que a categoria está muito mais inspirada do que a de Melhor Filme, pois “A Outra Terra“, “Margin Call – O Dia Antes do Fim” e “Martha Marcy May Marlene” são ótimos, o que enriquece muita a premiação como uma das mais sólidas do cinema americano. Como “Margin Call – O Dia Antes do Fim” automaticamente ganha vantagem por ser o escolhido do Prêmio Robert Altman (que homenageia o diretor, diretor de elenco e o conjunto de elenco de uma obra), é capaz que J.C. Chandor se dê muito bem.

PRÊMIO JOHN CASSAVETES

Bellflower | Circumstance | Hello Lonesome | Pariah | The Dynamiter

Uma das categorias mais importantes do Independent Spirit Awards, o Prêmio John Cassavetes celebra a produção de grande qualidade artística com o custo de até 500 mil dólares. “A Bruxa de Blair”, “Chuck & Buck”, “O Tempo de Cada Um” e “Quase Um Segredo”/”Pacto Maldito” foram alguns dos filmes contemplados com o prêmio que leva o nome do pai do cinema independente. Entre os indicados, assisti “Bellflower” (um filme ruim talvez indicado pela falta de opções) e “Circumstance” (um registro ousado sobre a juventude iraniana). O favorito da categoria é “Pariah”, lançado na última semana de 2011 nos Estados Unidos e grande sucesso de crítica.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

A Separação | Melancolia | Shame | O Garoto da Bicicleta | Tiranossauro

Eis aqui aquela que talvez seja a lista de filmes estrangeiros com os títulos mais populares da temporada. Só mesmo o Independent Spirit Awards para reconhecer obras tão soberbas quanto “Melancolia” e “Tiranossauro”, além de encaixar “Shame”, uma produção britânica, entre os finalistas. Todos sabem que considero a nova obra-prima de Lars von Trier como um dos melhores filmes dos últimos anos e seria agradável vê-la vitoriosa. O problema é que virou regra laurear “A Separação” – regra, aliás, que apenas o Bafta quebrou recentemente ao dar o prêmio de melhor filme estrangeiro para “A Pele Que Habito”.

OUTRAS CATEGORIAS

MELHOR ROTEIRO

Footnote | Ganhar ou Ganhar | O Artista | Os Descendentes | Toda Forma de Amor


MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO

50% | A Outra Terra | Margin Call – O Dia Antes do Fim | Negócio Fechado | Terri


MELHOR FOTOGRAFIA

Bellflower | Meia-noite em Paris | O Artista | The Dynamiter | The Off Hours


MELHOR DOCUMENTÁRIO

An African Election | Bill Cunningham New York | The Interrrupters | The Redemption of Gerenal Butt Naked | We Were Here


PRÊMIO ROBERT ALTMAN

Margin Call – O Dia Antes do Fim


PRÊMIO PIAGET PARA PRODUTORES

Martha Marcy May Marlene | Mosquito Y Mari | O Abrigo


PRÊMIO “SOMEONE TO WATCH”

Mark Jackson, de Without | Nicholas Ozeki, de Mamitas | Simon Arthur, de Silver Tongues


PRÊMIO “TRUER THAN FICTION AWARD”

Alma Har’el, de Bombay Beach | Danfung Dennis, de Hell and Back Again | Heather Courtney, de Where Soldiers Come From

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