Tão Forte e Tão Perto

No momento em que  anunciaram os finalistas do Oscar todos ficaram surpresos com a inclusão de “Tão Forte e Tão Perto” em uma das nove vagas na categoria de Melhor Filme. Afinal, o que justifica a presença do quarto longa-metragem de Stephen Daldry mesmo com a avalanche de críticas negativas da imprensa especializada e o pouco entusiasmo do público? A hipótese de suborno entre os votantes não é dispensável, mas a melhor resposta talvez seja a habilidade de Stephen Daldry em fazer cinema aos moldes do Oscar: história dramática cheias de perseverança amparada por boas performances.

O trágico episódio do 11 de Setembro serve como pano de fundo no roteiro de Eric Roth (Oscar por “Forrest Gump – O Contador de Histórias”). Foi no “pior dos dias” que Oskar Schell (o estreante Thomas Horn) perdeu o seu pai Thomas (Tom Hanks, em breves aparições), que estava em uma reunião no World Trade Center no exato instante em que dois aviões atingiram os edifícios. Sofrendo da síndrome de Asperger, Oskar parece totalmente desorientado, uma vez que seu pai é quem lhe conduzia ao embate com seus próprios medos e fobias. Ao descobrir nos pertences de seu pai uma chave protegida em um pequeno envelope tendo como único dado o nome Black, Oskar inicia uma jornada pessoal pela fechadura que conseguirá abrir com ela.

É clara a intenção de Stephen Daldry em tornar esta premissa em uma radiografia de uma sociedade ainda atingida pelos eventos do 11 de Setembro ao mesmo tempo em que ela é forte o suficiente para seguir em frente de cabeça erguida. Isto se vê nos inúmeros personagens com sobrenome Black com quem Oskar irá se cruzar. Como não há muito tempo disponível, apenas um ou outro ganha destaque, como o casal interpretado por Viola Davis e Jeffrey Wright. Mesmo com as boas intenções, é lamentável testemunhar um Stephen Daldry muito distinto daquele que há dez anos fez obras-primas como “Billy Elliot” e “As Horas”. O clímax tenta tornar todo o drama mais digerível, mas é difícil acreditar na jornada de Oskar, apenas uma criança inofensiva e cheia de tiques solta num universo de estranhezas e que tem como única defesa a obstinação em chegar à porta que sua chave abrirá e, finalmente, encontrar algo que seu pai talvez tinha intenção de dizer depois de partir. Num tom quase de fábula, “Tão Forte e Tão Perto” só consegue encantar com a presença de Max von Sydow, comovente na pele de um misterioso inquilino mudo que guiará Oskar em alguns destinos.

Título Original: Extremely Loud & Incredibly Close
Ano de Produção: 2011
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: Eric Roth, baseado no romance de Jonathan Safran Foer
Elenco: Thomas Horn, Sandra Bullock, Tom Hanks, Max von Sydow, Viola Davis, Jeffrey Wright, Hazelle Goodman, Zoe Caldwell, Julian Tepper e John Goodman
Cotação: 2 Stars

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6 Respostas para “Tão Forte e Tão Perto

  1. Stephen Daldry é realmente incrível, seus filmes anteriores beiram a perfeição.
    Mas Tão Forte, Tão Perto não consegue me comover. Uma criança antipática, mimada e arrogante que parece no final do filme não ter compreendido nem se comovido com a própria aventura e que em nenhum momento do filme me convence de suas atuações.

    Onde estava o sentimento? O melodrama tão característico do diretor?
    Bem, se você não dormir durante o filme verá que o drama ficou para o final mas só funcionou com a ajuda de Sandra Bulock e Viola Davis. Caso contrário seria um fracasso total.

    Um filme decepcionante, vindo de um diretor tão querido.

    • João, concordo totalmente com você. O Oskar realmente não é um garoto que desperta empatia no espectador. O que também me incomoda no filme é que a história sempre anda em linha reta, jamais abre portas para explorar outras possibilidades. Ao menos fica intacto aqui o talento do diretor em extrair o máximo de atores que fazem apenas pequenas participações, como é o caso que você citou da Sandra Bullock e Viola Davis.

  2. Pingback: Indicados ao Oscar 2012 – Comentários e Apostas « Cine Resenhas – 5 Anos·

  3. Gente… o menino não é um ‘antipático’, ‘mimado’. Tudo bem que quem assiste não precisa entender de Psicologia – e isto foi mencionado muito rapidamente. Mas ele mesmo menciona a Síndrome de Asperger (apesar de dizer que o resultado do teste não foi conclusivo – ou não declarado pra ele???), que é um Transtorno Global do Desenvolvimento (tipo um autismo).

    O pai sabia como estimular e extrair suas melhores habilidades e provocá-lo a avançar os limites – provavelmente por conhecer as características da doença. Se quiser saber mais sobre isto, deem uma procurada

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