Vencedores do Globo de Ouro 2012 – Comentários

MELHOR FILME – DRAMA

Vencedor: Os Descendentes

Indicados: Histórias Cruzadas | A Invenção de Hugo Cabret | Tudo pelo Poder | O Homem Que Mudou o Jogo | Cavalo de Guerra

Comentário: Analisando a popularidade diante do público americano, bem como a ausência de rigidez nas escolhas da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, acreditava que o grande vencedor na categoria de melhor filme dramático fosse “Histórias Cruzadas“. No entanto, o título que levou a melhor foi “Os Descendentes”, recente sucesso de Alexander Payne. Numa categoria que conta nesta edição com seis finalistas, “O Homem Que Mudou o Jogo”, típico filme para americano ver, tem poucos méritos para estar aqui, ocupando uma vaga que poderia ser ocupada por filmes como “Margin Call – O Dia Antes do Fim”, “Melancolia” ou “A Árvore da Vida“. Mas como se trata do Globo de Ouro, esta seria uma possibilidade absurda.
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MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL

Vencedor: O Artista

Indicados: Missão Madrinha de Casamento | Sete Dias com Marilyn | Meia-noite em Paris | 50%

Comentário: “O Artista” representou uma das vitórias mais óbvias da noite. Na verdade, a produção muda que desponta como favorita ao Oscar de Melhor Filme tinha apenas como forte oponente “Meia-noite em Paris“. É outra escolha da qual não há muito o que comentar. Ao julgar pela unanimidade com a qual tem sido recebido, “O Artista” tem tudo para ser um dos melhores filmes deste ano. Também não posso deixar de mostrar meu entusiasmo com a presença de “Missão Madrinha de Casamento” entre os finalistas, cuja indicação já pode ser dada como uma vitória.
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MELHOR ATOR – DRAMA

Vencedor: George Clooney – Os Descendentes

Indicados: Leonardo DiCaprio – J. Edgar | Michael Fassbender – Shame | Ryan Gosling – Tudo Pelo Poder | Brad Pitt – O Homem Que Mudou o Jogo

Comentário: George Clooney foi outra aposta minha que deu certo. Entre os seus concorrentes, pude conferir aos trabalhos de Ryan Gosling e Brad Pitt. O primeiro atua direitinho sob a batuta de George Clooney em “Tudo Pelo Poder”, mas o ator sempre é ofuscado ao contracenar com coadjuvantes muito mais experientes como Philip Seymour Hoffman e Marisa Tomei. Já o marido de Angelina Jolie se limita a um trabalho cheio de maneirismos, adotando uma postura arrogante como gerente de um time de baseball (como atirar objetos que estejam ao seu redor ou apresentar reações bruscas) e terna diante da filha com o qual tem uma proximidade restrita. Sobre os outros candidatos, a imprensa especializada acredita que Leonardo DiCaprio teve um grande desempenho em um filme medíocre e que Michael Fassbender não seria premiado pelos votantes por eles ainda não estarem preparados para prestigiar a entrega de um ator em um papel polêmico.
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MELHOR ATRIZ – DRAMA

Vencedora: Meryl Streep – A Dama de Ferro

Indicadas: Glenn Close – Albert Nobbs | Viola Davis – Histórias Cruzadas | Rooney Mara – Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Tilda Swinton – Precisamos Falar Sobre o Kevin

Comentário: Outra aposta que não se concretizou. Acreditava que quem ganharia o prêmio seria Viola Davis pelo seu ótimo trabalho em “Histórias Cruzadas“, mas Meryl Streep foi quem levou a melhor. Há nesta categoria o mesmo mal que comprometeu Leonardo DiCaprio, aqui atingindo Meryl Streep e Glenn Close. Ambas (ou apenas Glenn Close, pois não assisti “A Dama de Ferro”) se entregam de corpo e alma num filme que, no geral, não as valorizam, seja pela narrativa cheia de problemas, seja pela direção descuidada. Ainda assim, Meryl Streep se mostrou mais forte que as críticas negativas dadas para “A Dama de Ferro”. Já sobre Rooney Mara, bom, eu duvido que ela consiga se aproximar da entrega fenomenal de Noomi Rapace na versão original de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (injustamente esnobado no ano passado, aliás) e, voltando a Viola Davis, não consigo considerá-la a protagonista de “Histórias Cruzadas“, vendo que quase toda a história é vista sob a perspectiva da personagem de Emma Stone. Assim, sem pensar duas vezes, tenho como favorita aqui Tilda Swinton, que em “Precisamos Falar Sobre o Kevin” tem um desempenho que, acreditem, ficará gravado na memória por muito tempo.
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MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL

Vencedor: Jean Dujardin – O Artista

Indicados: Brendan Gleeson – O Guarda | Joseph Gordon-Levitt – 50% | Ryan Gosling – Amor a Toda Prova | Owen Wilson – Meia-Noite em Paris

Comentário: Há dois erros gravíssimos nesta lista de finalistas, talvez justificados pela baixa concorrência no último ano. O primeiro é a lembrança  do trabalho de Brendan Gleeson em “O Guarda”, comédia fraca que misteriosamente recebeu inúmeros elogios da imprensa especializada. O ator irlandes é um talento indiscutível, mas seu personagem não domina nem metade do sarcasmo previamente sugerido. O segundo erro é indicar Ryan Gosling por “Amor a Toda Prova”, uma piada de muito mau gosto. Que me desculpe o público chegado numa barriga tanquinho, mas até, sei lá, Philip Seymour Hoffman convenceria mais no papel de um galanteador barato. Não vejo a hora de conferir o trabalho do francês Jean Dujardin em “O Artista” (com estreia programada para o dia 10 de fevereiro no Brasil) e confesso que sou apaixonado pelo trabalho de Owen Wilson em “Meia-noite em Paris“, perfeito como o alter ego de Woody Allen.
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MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL

Vencedora: Michelle Williams – Sete Dias com Marilyn

Indicadas: Jodie Foster – Carnage | Charlize Theron – Jovens Adultos | Kristen Wiig – Missão Madrinha de Casamento | Kate Winslet – Carnage

Comentário: Novamente a falta de concorrência pesou para a categoria, que desta vez prestigia as performances de Jodie Foster e Kate Winslet em “Carnage“, um dos piores filmes de Roman Polanski e que ainda traz as atrizes em momentos constrangedores. Se faltavam candidatas, não custava nada dar uma espiadinha em alguns trabalhos femininos fora do cinema americano (Catherine Deneuve em “Potiche – Esposa Troféu“? Gisèle Casadesus em “Minhas Tardes com Margueritte”?). Como isso não acontece, ao menos é possível ficar entusiasmado com a vitória de Michelle Williams (todos confirmam que ela personifica Marilyn Monroe de maneira surpreendente) e as indicadas Charlize Theron (no trailer de “Jovens Adultos” dá para perceber que ela arrasa no papel) e Kristen Wiig, esta apresentando a minha perfomance cômica favorita no ano passado.
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MELHOR ATOR COADJUVANTE

Vencedor: Christopher Plummer – Toda Forma de Amor

Indicados: Kenneth Branagh – Sete Dias com Marilyn | Albert Brooks – Drive | Jonah Hill – O Homem Que Mudou o Jogo | Viggo Mortensen – Um Método Perigoso

Comentário: Gosto um pouco mais do trabalho de Christopher Plummer  no drama de época “A Última Estação” e sua vitória por “Toda Forma de Amor” serve como uma forma de compensá-lo – não me surpreenderei se o Oscar fizer o mesmo na edição deste ano. Não tenho como julgar os trabalhos de Kenneth Branagh e Viggo Mortensen (não conferi “Sete Dias com Marilyn” e “Um Método Perigoso”) e Jonah Hill ser lembrado por “O Homem Que Mudou o Jogo” é uma escolha duvidosa para um jovem ator que há pouco tempo fez um trabalho tão bom em “Cyrus“. Já Albert Brooks está ameaçador como o principal vilão de “Drive“, filme superestimado, mas que enriquece com sua presença.
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MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Vencedora: Octavia Spencer – Histórias Cruzadas

Indicadas: Bérénice Bejo – O Artista | Jessica Chastain – Histórias Cruzadas | Janet McTeer – Albert Nobbs | Shailene Woodley – Os Descendentes

Comentário: Jurava que iria ver Viola Davis ganhando o prêmio de melhor atriz por “Histórias Cruzadas” assim que sua companheira, Octavia Spencer, subiu no palco. A atriz brilha no papel de uma mulher que diariamente enfrenta inúmeras adversidades e que ainda assim é dura de queda. Caso seja indicada ao Oscar, exijo desde já que a cena onde oferece uma torta para a personagem de Bryce Dallas Howard seja exibida, um dos pontos altos do cinema americano em 2011. Com exceção de Janet McTeer (que tem um trabalho ainda mais surpreendente que Glenn Close em “Albert Nobbs“), não conferi o trabalho das outras atrizes.
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MELHOR DIRETOR

Vencedor: Martin Scorsese – A Invenção de Hugo Cabret

Indicados: Woody Allen – Meia-Noite em Paris  | George Clooney – Tudo pelo Poder | Alexander Payne – Os Descendentes | Michel Hazanivicous – O Artista

Comentário: Algo me dizia para apostar na vitória de Martin Scorsese, mas arrisquei Michel Hazanivicous por “O Artista”, imaginando que ele ficaria como melhor diretor enquanto Woody Allen seria recompensado na categoria a seguir pelo roteiro de “Meia-noite em Paris“. Com “Tudo Pelo Poder”, George Clooney faz aquele que é o seu melhor trabalho por trás das câmeras, mas eis uma categoria que também não consigo defender um candidato. É aguardar as estreias de “A Invenção de Hugo Cabret”, “Os Descendentes” e “O Artista” para depois formar uma opinião mais sólida.
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MELHOR ROTEIRO

Vencedor: Woody Allen – Meia-Noite em Paris

Indicados: George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon – Tudo pelo Poder | Michel Hazavanicious – O Artista | Jim Rash, Nat Faxon, Alexander Payne – Os Descendentes | Aaron Sorkin, Steve Zaillian – O Homem Que Mudou o Jogo

Comentário: Calma. A imagem acima com Clive Owen e Nicole Kidman não é um erro. Ambos apresentaram a categoria que rendeu um Globo de Ouro para Woody Allen. Como sempre, ele não estava presente no evento. Também pude antecipar a vitória de “Meia-noite em Paris” e acredito que por uma diferença mínima de votos “O Artista” acabou ficando para trás. Mesmo não sendo um filme formidável, gosto muito do texto de “Tudo Pelo Poder” que George Clooney escreveu em parceria com Grant Heslov e Beau Willimon. Se há uma categoria no Oscar que a produção poderá ser lembrada será esta. Novamente, não compreendo o que “O Homem Que Mudou o Jogo” faz aqui. É uma boa estratégia a história seguir apenas o personagem de Brad Pitt, sem jamais se ater as cenas de baseball. Fora isso, não há outras sacadas originais.
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MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Vencedor: A Separação (Irã)

Indicados: A Pele Que Habito (Espanha) | O Garoto da Bicicleta (Bélgica) | In the Land of Blood and Honey (EUA) | The Flowers of War (China)

Comentário: Essa daqui talvez seja a categoria a contar com a pior lista de finalistas. Não enxergo em “A Separação” a perfeição que muitos dizem se aproximar e até considero “Procurando Elly“, filme anterior de Asghar Farhadi, levemente superior. Ainda assim, é quase um ultraje vê-lo na briga com “A Pele Que Habito” (qualquer coisa que Pedro Almodóvar faça é automaticamente considerada no Globo de Ouro), “O Garoto da Bicicleta” (produção cheia de deficiências conduzida pelo irmãos Dardenne) e especialmente “The Flowers of War” (um show de pieguismo que fará qualquer fã de Zhang Yimou corar de vergonha). Não consigo esconder minha curiosidade a respeito do primeiro filme de Angelina Jolie como diretora. Por outro lado, é evidente que “In the Land of Blood and Honey” está aqui apenas para garantir que o casal Brangelina marque presença e glamorize um pouco mais o evento. Ou pode ser suborno também.
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MELHOR ANIMAÇÃO

Vencedor: As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne

Indicados: Operação Presente | Carros 2 | Gato de Botas | Rango

Comentário: Já antecipava a vitória de  “As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne” nesta categoria. Embora o filme já esteja em pré-estreia em várias salas de São Paulo, não pude conferi-lo a tempo para a premiação. Compreendo o tempo extenso que Steven Spielberg e Peter Jackson dedicaram para a animação, mas duvido que seu preciosismo técnico supere a experiência que tive ao assistir “Rango“. Muitos se queixaram com a presença de “Carros 2”, que talvez estivesse ocupando uma vaga que poderia ser de “Rio“. Para mim, seria o mesmo que trocar seis por meia dúzia.
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MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

Vencedor: Ludovic Bource – O Artista

Indicados: Abel Korzeniowski – W.E. – O Romance do Século | Trent Reznor & Atticus Ross – Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Howard Shore – A Invenção de Hugo Cabret | John Williams – Cavalo de Guerra

Comentário: Ao fazer minhas apostas fiquei dividido nesta categoria entre Ludovic Bource e Abel Korzeniowski. Acabei ficando com o compositor por trás “W.E. – O Romance do Século”, que fez um trabalho tão primoroso quanto o de “Direito de Amar“. Não ouvi o trabalho do francês Ludovic Bource, mas creio que seja um dos elementos que definem “O Artista”, que todos sabem se tratar de um filme mudo. Minha única queixa é a presença do desagradável trabalho da dupla Trent Reznor & Atticus Ross, que nem em “A Rede Social” havia me conquistado.
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MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Vencedor: “Masterpiece” – W.E. – O Romance do Século

Indicados: “Hello Hello” – Gnomeo e Julieta | “Lay Your Head Down” – Albert Nobbs | “The Living Proof” – Histórias Cruzadas | “The Keeper” – Redenção

Comentário: Odeio dizer isso, mas acredito que rolou algum tipo de suborno para Madonna ganhar seu segundo Globo de Ouro, desta vez por compor “Masterpiece”, canção de “W.E. – O Romance do Século”, seu segundo filme como diretora. É uma letra bonita, mas com um ritmo pop que não faria feio na lista das mais ouvidas de uma rádio Jovem Pam da vida. Minha aposta foi para “The Living Proof”, canção de “Histórias Cruzadas“. Porém, considero “Lay Your Head Down”, de “Albert Nobbs“, a melhor entre os finalistas.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pelo Twitter (@alexcinefilo) creio que muitos de vocês puderam acompanhar, entre uma piadinha e outra, o meu descontentamento com esta última edição do Globo de Ouro. A minha maior expectativa residia na presença de Ricky Gervais, que pela terceira vez consecutiva apresentava o evento. No entanto, com as piadas fortes que ele fez em 2011 foi perceptível que ele sofreu censura, pegando leve demais e soltando comentários engraçadinhos que eram previsíveis demais.

Porém, nada me deixou mais triste do que a maneira como os organizadores fizeram com que os vencedores apresentassem o mais depressa os seus agradecimentos, uma atitude no qual julgo totalmente desrespeitosa. Tivessem limado as desnecessárias apresentações de cada um dos títulos indicados nas categorias principais e o tempo disponível para os discursos seriam consideravelmente maiores.

Para finalizar, resta apenas a felicidade em ver as interpretações e programas televisivos que torcia saindo com troféus em mãos, a exemplo dos desempenhos de Laura Dern (pelo maravilhoso “Enlightened”), Claire Danes (“Homeland”) e Kate Winslet (por “Mildred Pierce”), bem como “Homeland” como melhor seriado dramático.

Até o Globo de Ouro 2013. Ou melhor, até o Oscar 2012.

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3 Respostas para “Vencedores do Globo de Ouro 2012 – Comentários

  1. Se tivesse de escolher um único prêmio, claro, escolheria o de Meryl. Falando sem nenhum tipo de puxação-de-saco (o que para mim às vezes é dificil), a atriz merece mais reconhecimento; antes tirar metade das indicações que recebeu e lhe dar pelo menos mais dois prêmios, porque ela realmente merece. Espero que ganhe o Oscar, porque 1) fiquei sabendo que Viola Davis é coadjuvante em “The Help”, e 2) essa mulher ganhou seu último Oscar em 1983! Meu Deus! Nem estava nos planos do meu pai ainda. Gosto demais de Meryl e preciso vê-la vencendo o Oscar. :)
    Do que não gostei? Da vitória de Spencer (A Mo’nique de 2012), George Clooney (que já tem prêmios demais sem merecimento) e Scorsese (puxação de saco).
    Enfim, me diverti com a festa. Preferi esta à do ano passado mil vezes.
    Abraços, Alex! ;)

  2. Pingback: Retrospectiva 2012 | Cine Resenhas·

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