Um Sonho de Amor

Atriz de extraordinário talento, a inglesa Tilda Swinton tem uma agenda cheia de trabalhos em pré-produção ou prestes a serem finalizados, mesmo já tendo passado dos cinquenta anos, uma faixa de idade onde os bons papéis começam a rarear. Com isto, surpreende que ela tenha conseguido conciliar seus compromissos com outros cineastas ao mesmo tempo que auxiliava o levantamento de investimentos para a produção de “Um Sonho de Amor”, dirigido pelo italiano Luca Guadagnino (o mesmo de “100 Escovadas Antes de Dormir”).

Filmado com o custo estimado de dez milhões de dólares com base num argumento do próprio Luca Guadagnino, “Um Sonho de Amor” registra Emma Recchi (Tilda Swinton) e sua vida cheia de luxos. Nascida na Rússia, Emma abandona a terra natal para viver com o marido Tancredi (Pippo Delbono) em Milão. O casal tem três filhos: Edoardo Jr. (Flavio Parenti), Elisabetta (Alba Rohrwacher) e Gianluca (Mattia Zaccaro).

A trama inicia com um jantar para comemorar o aniversário do sogro de Emma, Edoardo (Gabriele Ferzetti). Entre os brindes, Edoardo aproveita para anunciar o abandono de sua indústria têxtil, deixando como sucessores o filho  Tancredi e o neto Edoardo. Porém, maior do que esta surpresa é o quanto a rápida presença de Antonio (Edoardo Gabbriellini), chefe de cozinha e melhor amigo de Edoardo Jr., atraí as atenções de Emma.

Assim, ao longo de duas horas de metragem, “Um Sonho de Amor” passa a registrar a aproximação de Emma, matriarca de uma família poderosa, com Antonio, um homem jovem, humilde e que planeja com Edoardo Jr. abrir seu próprio restaurante. Para isto, Luca Guadagnino conta com muitos elementos ao seu favor. Se o empenho de Tilda Swinton (dialogando em italiano invejável) dispensa apresentações, há bom uso da música instrumental de John Adams, dos figurinos indicado ao Oscar de Antonella Cannarozzi e da fotografia de Yorick Le Saux (que já trabalhou com o francês François Ozon e mestre na elaboração de cenas de sexo). Entretanto, também é fato que não dá para se entusiasmar com o espírito novelesco da narrativa e suas resoluções inconvincentes.

Título Original: Io sono l’amore
Ano de Produção: 2009
Direção: Luca Guadagnino
Roteiro: Barbara Alberti, Ivan Cotroneo, Luca Guadagnino e Walter Fasano
Elenco: Tilda Swinton, Flavio Parenti, Edoardo Gabbriellini, Alba Rohrwacher, Pippo Delbono, Diane Fleri, Maria Paiato, Marisa Berenson, Waris Ahluwalia, Gabriele Ferzetti, Martina Codecasa, Elena Pavli e Mattia Zaccaro
Cotação: 2 Stars

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8 Respostas para “Um Sonho de Amor

  1. Uma pena que este filme não tenha tido um resultado mais expressivo. Eu esperava isso, tendo em vista até mesmo as críticas recebidas pela obra no ano passado, sendo considerado até para alguns Oscars… Enfim, adoro a Tilda Swinton. Acho ela uma atriz muito consistente e que construiu uma carreira mais que respeitável, em filmes de todos os gêneros, interpretando tudo que é tipo de papel.

    • Kamila, eu realmente compreendo as boas intenções somados aos esforços de Tilda Swinton e Luca Guadagnino para a realização desse projeto, mas a história realmente não me agradou totalmente. Claro, ela apresenta ótimos momentos, mas não muitos. Ainda assim, sugiro que você veja o filme. Ele já deve estar disponível em DVD e acredito que ele tem elementos que talvez lhe agradem.

  2. Para mim esse “espírito novelesco” faz parte de uma tradição muito boa do cinema italiano para o bom melodrama. No filme, nada me parece forçado e mesmo o relacionamento extra-conjugal da protagonista demora um tanto para se concretizar. Enquanto isso, o diretor desenvolve uma gama de personagens que formam a família e suas relações, fugindo dos lugares-comuns possíveis, mas sempre respeitoso com cada um. No final, ele quase dá uma derrapada gritante (a morte inesperada), o que me parecia uma forma sacana de colocar as coisas nos lugares e ainda culpar a protagonista por seu ato. Mas aí, no finalzinho, o filme nos surpreende com aquela atitute dela, totalmente corajosa. Aí, o filme me ganhou de jeito! E Swinton está ótima, o que não é uma novidade.

    • Rafael, não acho o tratamento assim tão respeitoso. Tancredi mesmo não passa daquele estereótipo de marido insosso que não satisfaz a esposa na cama. Afora a própria protagonista, só Elisabetta é aquela a ganhar mais dimensões ao longo da narrativa.

      O que realmente me deixou bem frustrado com o filme é o seu clímax, com a morte que você cita. Mas okay, a conclusão é fantástica, mas vamos dar ao menos uns 70% de méritos pelo uso certeiro da trilha instrumental. =P

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