Jogo de Poder

Existem vários exemplares americanos já lançados que se dedicaram em retratar um episódio específico do pós-11 de Setembro. Passaram-se dez anos desde a tragédia e por conta desta faixa de tempo há alguns projetos que já nasceram, digamos, datados. Paul Greengrass, por exemplo, fez ano passado “Zona Verde”, longa-metragem intragável que focava Matt Damon para detectar armas de destruição em massa no Iraque. Doug Liman conta com um roteiro de um episódio similar, mas entregando um filme que surte efeito no cenário atual.

Autores dos livros “The Politics of Truth: Inside the Lies that Led to War and Betrayed My Wife’s CIA Identity: A Diplomat’s Memoir” e “Fair Game: My Life as a Spy, My Betrayal by the White House”, Joseph Wilson e Valerie Plame são os personagens centrais de “Jogo de Poder”, incorporados respectivamente por Sean Penn e Naomi Watts, que contracenam juntos pela terceira vez. Casados, Joseph e Valerie têm profissões que os obrigam a deixar a vida familiar de segundo plano. Ele é um diplomata americano. Ela, uma agente da Agência Central de Inteligência que investiga a existência de urânio no Iraque para a fabricação de armas de destruição em massa por terroristas.

A história ganha contornos dramáticos quando Joseph é incluído como investigador na operação, culminando num artigo de sua própria autoria para o New York Times alegando que as investigações têm como mero pretexto confirmar riscos inexistentes para justificar a permanência de soldados americanos no Iraque. A ação não apenas coloca em xeque a credibilidade de Joseph como faz vazar a identidade de Valerie.

Tendo dirigido no automático blockbusters como “Sr. & Sra. Smith” e “Jumper”, Doug Liman surpreende no domínio que tem sob a trama séria de “Jogo de Poder”. Jamais elabora sequências de ação que costuma predominar filmes com este conteúdo, permitindo que o interesse recaia na dinâmica que há entre Joseph e Valerie. É triste testemunhar a maneira como essa sequência de acontecimentos afeta o relacionamento do casal e como eles tentam se reerguer, como se o País que eles se dedicaram em defender por anos lhe virasse as costas quando mais precisavam.

Título Original: Fair Game
Ano de Produção: 2010
Direção: Doug Liman
Roteiro: Jez Butterworth e John-Henry Butterworth, baseado no livro “The Politics of Truth: Inside the Lies that Led to War and Betrayed My Wife’s CIA Identity: A Diplomat’s Memoir”, de Joseph Wilson e “Fair Game: My Life as a Spy, My Betrayal by the White House”, de Valerie Plame
Elenco: Naomi Watts, Sean Penn, Noah Emmerich, Ty Burrell, Thomas McCarthy, Sam Shepard, Jessica Hecht, Norbert Leo Butz, Rebecca Rigg, Brooke Smith, Ashley Gerasimovich, Quinn Broggy, Michael Kelly, Kristoffer Ryan Winters, David Andrews, Bruce McGill, Tim Griffin, Khaled Nabawy, Rafat Basel, Maysa Abdel Sattar, Jenny Maguire, David Warshofsky, Adam LeFevre e James Rutledge
Cotação: 3 Stars

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4 Respostas para “Jogo de Poder

  1. Este filme vai indo muito bem até que o foco da trama se torna a crise conjugal vivida por Valerie e seu marido. Mesmo assim, prefiro ficar com as belas atuações de Sean Penn e Naomi Watts na minha lembrança.

  2. A maior surpresa para mim nesse filme é o fato dele ser dirigido por Doug Liman. Mais assustador ainda é perceber o tom sóbrio que ele confere ao tema, fugindo do ideário de ação (que em Greengrass é outro registro, mas que me agrada muito também) e se apegando mais no drama de seus personagens, expondo assim uma série de contrapontos dentro dos órgãos de segurança e poder dos EUA.

  3. O Artigo escrito pelo Sr. Joseph Wilson para o The New York Times foi publicado antes do início da guerra e atacava diretamente os argumentos e justificativas do presidente americano George W Bush para obter autorização do congresso americano para declarar guerra ao Iraque.
    Como sabemos e a história conta, o Sr. Joseph Wilson falava a verdade enquanto o Sr. George W Bush mentia para todos os americanos.
    Na verdade a credibilidade qua foi colocada em cheque não foi a do Sr. JW mas sim a do presidente americano.

  4. Pingback: Retrospectiva 2011 « Cine Resenhas·

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