Ricky

O lamentável fracasso financeiro de “Angel” parece ter marcado a carreira do francês François Ozon. Após sua primeira experiência com um projeto em língua inglesa, o realizador passou um ano sem comandar um filme, algo inédito em sua carreira até então. O acontecimento permitiu a François rodar uma história original de sua própria autoria de forma mais modesta, resgatando um pouco das características vistas nos primeiros títulos de sua filmografia. Em tom fantástico similar ao bizarro “Sitcom – Nossa Linda Família”, “Ricky” chegou com dois anos de atraso ao Brasil, mas ainda assim é uma realização imperdível.

A história registra o cotidiano de Katie (Alexandra Lamy), operária e mãe solteira da astuta Lisa (Mélusine Mayance). É clara a solidão desta personagem, inquilina de um apartamento quase decadente. Os flertes com Paco (Sergi López), um colega de trabalho, resultam em gravidez. O nascimento do gracioso Ricky (Arthur Peyret) parece dar início a união de uma família feliz se não fossem os atritos que levam a uma separação. Deste ponto em diante, algo inesperado acontece a Ricky e revelar o mistério seria estragar totalmente a brincadeira proposta por esta fantasiosa “dramédia”.

Com quarenta e três anos de idade e nada menos que vinte e três de carreira, François Ozon pode entregar filmes convencionais como os recentes “O Refúgio” e “Potiche – Esposa Troféu”. Em outras ocasiões, assina produções que instigam com histórias cheias de enigmas que permitem ao espectador desenhar resoluções por conta própria. “Ricky” se enquadra neste segundo grupo, destacando-se ainda pelo comovente tributo que faz à maternidade em seu último ato.

Título Original: Ricky
Ano de Produção: 2009
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon
Elenco: Alexandra Lamy, Sergi López, Mélusine Mayance, Arthur Peyret, André Wilms, Jean-Claude Bolle-Reddat e Maryline Even
Cotação: 4 Stars

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6 Respostas para “Ricky

  1. E “Angel” é um filme tão bom…. Não entendo o fracasso dele. Mesmo se fosse ruim (o que não é), eu assistiria “Ricky”, só porque adoro o cinema de Ozon!

    • Kamila, “Angel” é mesmo um filme maravilhoso. Realmente não consigo compreender as reações negativas. Ozon foi muito corajoso em modificar inúmeros padrões dos melodramas, a exemplo do temperamento da própria protagonista. E aguarde pelo lançamento de “Ricky” em DVD. É bizarro e terno.

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