Helen

Dois anos e meio atrás o inferno veio me fazer uma visita surpresa“. Autor de “O Demônio do Meio-Dia”, Andrew Solomon é membro de um grupo cada vez maior de pessoas que até hoje combate os males da depressão. Nada mais oportuno que sua forte citação apareça sob fundo negro no início de “Helen”, drama conduzido pela cineasta alemã Sandra Nettelbeck (“Simplesmente Martha”). É uma história dura de se acompanhar, que em sua primeira oportunidade dilacera o tom de alegria que qualquer um imaginaria predominar na existência da personagem-título interpretada por Ashley Judd.

Helen Leonard é casada com David (Goran Visnjic), tem uma filha, Julie (Alexia Fast), que só lhe dá orgulho em ser mãe, é uma professora de música talentosa e com estabilidade financeira perceptível. Denota-se que Helen é o impecável modelo de mulher feliz, mas a realidade se mostra cruel. Seu rendimento profissional decaí, assim como o clima harmonioso que preserva em família. São consequências de uma depressão profunda, que lhe atinge sem aviso prévio.

Apenas a sua jovem aluna universitária Mathilda (Lauren Lee Smith), também depressiva, é a pessoa na qual Helen encontra o apoio que procura. O isolamento conjunto acarretará em uma discussão devastadora. David ama Helen e não aceita perder a sua esposa para a doença, muito menos que o papel de protegê-la seja defendido por uma semi-desconhecida. Ao perguntar a Helen o que torna Mathilda tão especial, Helen responde: porque Mathilda não me pergunta como me sinto. Mathilda simplesmente sabe.

Sandra Nettelbeck também é responsável pelo roteiro e retrata com precisão os estágios da depressão (é preciso apontar a colaboração do diretor de fotografia Michael Bertl pela atmosfera opressiva oferecida). Helen não apenas é incapaz de retomar as suas atividades diárias, como não consegue evitar os pensamentos suicidas, as repentinas crises de choro, os sintomas físicos e o medo em reverter o quadro atual. Talvez desde “Geração Prozac” um filme não processe na tela a realidade de uma grande minoria com esta fidelidade. Ao mesmo tempo, “Helen” é um título difícil de ser recomendado. As resoluções não são fáceis e corre-se o risco do filme ser julgado equivocadamente por espectadores que, assim como David, são incapazes de compreender Helen e Mathilda.

Título Original: Helen
Ano de Produção: 2009
Direção: Sandra Nettelbeck
Roteiro: Sandra Nettelbeck
Elenco: Ashley Judd, Goran Visnjic, Lauren Lee Smith, Alexia Fast, Alberta Watson, Leah Cairns, David Hewlett, David Nykl, Chelah Horsdal, Ali Liebert e Conrad Coates
Cotação: 3 Stars

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