Deixe-Me Entrar

Tendo estreado na direção de longa-metragem com a comédia romântica “O Primeiro Amor de Um Homem” (estrelada por David Schwimmer e Gwyneth Paltrow) e estourado com o fenômeno “Cloverfield – Monstro”, Matt Reeves arrisca-se pela terceira vez atrás das câmeras ao assumir um projeto polêmico. Trata-se aparentemente de uma nova versão para o romance sueco “Låt den rätte komma in”. Aparentemente, pois é preciso ser muito ingênuo para não deduzir que Matt Reeves está interessado em apenas emular o primoroso trabalho de Tomas Alfredson em “Deixe Ela Entrar“, versão original sueca que imediatamente se tornou obra de culto.

Apesar do enfoque oferecido ao detetive interpretado por Elias Koteas, permitindo que duas linhas narrativas se estabeleçam, o desenvolvimento é o mesmo. Owen (Kodi Smit-McPhee) tem pais divorciados e está há um tempo vivendo com a mãe (Cara Buono). A separação não está fazendo nada bem ao garoto e Matt Reeves repete uma sacada muito astuta imaginada por Tomas Alfredson no filme de 2008, pois em nenhum instante visualizamos com clareza a face da mãe de Owen e o diálogo com o pai se dá apenas por uma ligação telefônica (curiosamente, na voz de Elias Koteas). Sem relações familiares fortes e sendo vítima de bullying no colégio não é possível imaginar uma situação ainda mais desoladora para o pequeno Owen. Bom, até surgir seus novos vizinhos: Abby (Chloe Moretz) e seu estranho pai (Richard Jenkins). Uma forte amizade é registrada na tela quando Abby faz companhias noturnas ao solitário Owen. O mistério desses novos inquilinos aparece quando Owen ouve de seu quarto sérias discussões entre pai e filha.

Qualquer análise conferida a este modelo de obra é delicada. Uma vez que a segunda versão de um roteiro nada mais faz do que reprisar os eventos originais, automaticamente as mesmas qualidades e defeitos serão reconhecidas. Não se trata de um padrão e “Deixe-me Entrar” não o representa. O filme americano acerta na escalação de atores para os papéis mais importantes. Kodi Smit-McPhee, ao contrário de “A Estrada“, não compromete o resultado e Richard Jenkins consegue superar a ótima contribuição de Per Ragnar para o filme de Tomas Alfredson. Todavia, com o material que tinha em mãos, seria muito fácil veincular a Matt Reeves apenas créditos positivos. Dentro de alguns temas apenas sugeridos em “Deixe Ela Entrar” (especialmente castração), Matt Reeves apenas se limita em requentar uma história para o público americano acompanhar sem legendas. E como nem todo mundo gosta de ser subestimado, “Deixe-me Entrar” registrou um fracasso quase vergonhoso no circuito estadunidense.

Título Original: Let Me In
Ano de Produção: 2010
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Matt Reeves, baseado no roteiro de “Deixe Ela Entrar” e no romance “Låt den rätte komma in”, ambos de John Ajvide Lindqvist
Elenco: Kodi Smit-McPhee, Chloe Moretz, Richard Jenkins, Elias Koteas, Cara Buono, Sasha Barrese, Dylan Kenin, Chris Browning, Ritchie Coster, Dylan Minnette, Jimmy Jax Pinchak, Nicolai Dorian e Rebekah Wiggins
Cotação: 2 Stars

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11 Respostas para “Deixe-Me Entrar

  1. Boa a sua análise e texto.
    Eu ainda não conferi esta versao americana, e não sei se farei. Não curto muito comida requentada.

  2. De fato, não existe o primor do filme sueco, mas sabe que eu chego a gostar desse filme. Ele não trai o roteiro original, mas falta força nas imagens e sentidos mais apurados que o Alfredson tanto sabia dar a seu filme. Depois de Cloverfield, me interesso por tudo que o Reeves faça.

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