10 Piores Filmes de 2010

Assim como na vida, o cinema nem sempre é feito apenas de maravilhas. O Cine Resenhas publicou recentemente a lista dos melhores filmes exibidos ao longo do ano passado nos cinemas e também lançados direto para o mercado de vídeo (clique aqui para vê-los) e levantou os favoritos de acordo com as médias de todas as edições do ponto crítico (clique aqui). Faltou apenas mais uma lista para fechar 2010, mas ela infelizmente não foi desenvolvida com aquele entusiasmo que temos na hora de exaltar ótimos filmes. Trata-se dos piores títulos conferidos em 2010, contemplando tanto lançamentos exibidos nos cinemas quanto lançados diretamente em DVD.

01. “The King of Fighters – O Filme“, de Gordon Chan
Talvez o melhor game de luta já feito, “The King of Fighters” inovou o gênero em seu lançamento ao permitir que o jogador selecionasse três personagens para lutarem em cada uma das fases de um torneio – ao contrário de “Street Fighters”, onde era possível selecionar apenas um personagem. No meio da pancadaria, até havia histórias bem bacanas para se trabalhar caso uma adaptação para o cinema um dia fosse imaginada. Infelizmente, o diretor Gordon Chan faz um longa-metragem sem um pingo de fidelidade, descaracterizando personagens (a Mai de Maggie Q não tem leques e seios fartos e Rugal não passa de um nanico) e indo direto para o topo da pior adaptação de um game já concebida, um feito impressionante para um histórico que traz aberrações como “Street Fighters – A Batalha Final”, “Street Fighters – A Lenda de Chun-Li“, “Double Dragon”, “Super Mario Bros.”, “Doom – A Porta do Inferno”, “Alone in the Dark”…

02. “O Pecado de Hadewijch”, de Bruno Dumont
Duas vezes vencedor do prêmio do Júri no Festival de Cannes por “A Humanidade” (1999) e “Flandres” (2006), o francês Bruno Dumont trabalha em “O Pecado de Hadewijch” com intérpretes amadores ao acompanhar a personagem central Céline (Julie Sokolowski), uma fanática religiosa e filha de pais de alto poder aquisitivo. O roteiro primário torna-se insuportável nos primeiros minutos de metragem, com Céline saindo do convento onde ficou por um longo tempo confinada e sua paixão obsessiva por Jesus Cristo colocada em xeque assim que se envolve com dois irmãos de origem árabe que também revelam seus fanatismos. Qualquer discussão acerca de religião e a imprevisibilidade do ser humano são atropeladas pela presunção de Bruno Dumont, que insiste no uso de planos longos que oferecem a sensação de tempo perdido como única reação.

03. “O Grito 3”, de Toby Wilkins
Takashi Shimizu criou uma mitologia assustadora em “Ju-on” e se saiu ainda melhor com uma atualização americana da mesma história em “O Grito”. Porém, caiu no erro de contar inúmeras vezes a mesma história. Sete vezes, para ser preciso. Ao menos o cineasta japonês merece um desconto por “O Grito 3”, no qual não tem nenhum envolvimento a não ser o seu nome creditado ao roteiro por conta dos argumentos tanto das partes originais quando dos episódios produzidos por Sam Raimi. Antes assustador e agora risível, a maldição de Kayako (Aiko Horiuchi, substituindo Takako Fuji) pode ser impedida. Nós sabemos o que acontecerá e, francamente, já estamos exaustos de acompanhar.

04. “De Pernas Pro Ar”, de Roberto Santucci
Apesar de anualmente o número de produções de qualidade ser cada vez maior, há ainda uma fatia considerável de filmes nacionais que fazem valer o preconceito com que muitos encaram nosso cinema. É difícil acreditar no sucesso de uma comédia como “De Pernas Pro Ar”, que arrastou milhares de espectadores para os cinemas e que acaba de ter uma sequência confirmada. Humorista com talento testemunhado no seriado “Sob Nova Direção” e na peça “Cócegas”, Ingrid Guimarães está claramente deslocada ao trabalhar com um material patético, que produz piadas já testadas com mais eficiência em outras produções (a exemplo da calcinha vibradora também usada por Parker Posey no filme “Em Busca do Prazer”). Além do mais, “De Pernas Pro Ar” é uma tentativa frustrada de desenhar a mulher moderna, que involuntariamente é diminuída por um roteiro machista.

05. “Premonição 4”, de David R. Ellis
A série “Premonição” evidencia o mesmo esgotamento da franquia “O Grito”, cujo terceiro episódio está em terceiro lugar em nosso ranking. O argumento é eficiente, mas não se sustenta quando é repetido à exaustão. O terceiro episódio foi uma lástima e “Premonição 4” veio com a promessa de mudar a situação ao ser exibido em 3D. O resultado foi ainda pior. O diretor David R. Ellis (responsável pelo eletrizante “Premonição 2”) se esforça em elaborar mortes criativas, o grande atrativo da série. Mas o que resultado obtido é uma obra moldada apenas por fatores negativos: “Premonição 4” tem desempenhos ineficazes, soa amador e não funciona nem como suspense e nem como autoparódia.

06. “O Último Mestre do Ar“, de M. Night Shyamalan
O mais original e autoral cineasta em atividade em Hollywood, o indiano M. Night Shyamalan erra feio em “O Último Mestre do Ar” justamente ao jogar de escanteio estas características responsáveis por criar tanta controvérsia. As aventuras de Aang poderiam até funcionar na animação “Avatar”. Afinal, suas três temporadas asseguraram uma ótima audiência, seja nos Estados Unidos ou no Brasil. Já M. Night Shyamalan, trabalhando pela primeira vez em sua carreira com uma adaptação, pouco pôde ajudar na matéria de adaptação. “O Último Mestre do Ar” é uma aventura anêmica e jamais consegue situar a plateia (seja aquela formada pelos fãs de sua filmografia ou da animação) na bagunça de informações jogadas ao longo de uma hora e meia de filme.

07. “Insolação“, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch
As produções autorais que não conseguem criar qualquer vínculo com o espectador representam um outro mal do nosso cinema brasileiro contemporâneo. Em 2010, não houve exemplo melhor para este erro do que “Insolação“, que confunde a todo o momento a linguagem cinematográfica com a linguagem teatral, consequência da parceria da cineasta Daniela Thomas e o realizador de peças de teatro Felipe Hirsch. Ao mergulhar no íntimo de personagens com corações partidos, “Insolação” causa apenas indiferença.

08. “Par Perfeito”, de Robert Luketic
Todos os cartazes de filmes estrelados por Katherine Heigl deveriam constar na classificação os efeitos destrutivos que todos estarão sujeitos ao encararem qualquer uma de suas comédias românticas. Eu mesmo estou tentando me recuperar até hoje de “A Verdade Nua e Crua”. E agora de “Par Perfeito”, também protagonizado pela mais aguada de todas as estrelas platinadas do cinema. Esta bobagem que custou setenta e cinco milhões de dólares (grande parte do valor provavelmente foi embolsado pelo elenco, pois ele não é justificado na tela) não passa de mais um saldo negativo para Robert Luketic, jovem australiano que há dez anos atrás se mostrou tão promissor na condução do esperto “Legalmente Loira”.

09. “Segurança Nacional”, de Roberto Carminati
Esta tremenda bobagem com uma patriotada difícil de engolir pode facilmente ser confundida com uma extensa propaganda institucional das Forças Armadas Brasileiras. Com o personagem de Thiago Larcerda na liderança de operações contra cartéis de drogas e a busca de políticos sequestrados por colombianos, “Segurança Nacional” exibe sequências de ação que tentam impressionar. Mas em seu segundo longa-metragem, Roberto Carminati não é capaz de evitar os risos involuntários. Não faltam closes em câmera lenta na bandeira brasileira, discursos dignos de horário político do Presidente da República Dantas encarnado por Milton Gonçalves e até pontinha da cantora Marina Elali numa versão bem karaokê do Hino Nacional. Triste ver uma atriz competente como Ângela Vieira a serviço de um projeto tão catastrófico.

10. “O Amor Acontece“, de Brandon Camp
Há dramas que não conseguem ocultar o seu caráter de autoajuda. Não é um problema se as características motivacionais são balanceadas com boa construção de situações que pretendem nos atingir. Exatamente o oposto se vê em “O Amor Acontece“, onde os roteiristas Brandon Camp (também diretor) e Mike Thompson não medem esforços para manipular usando as armadilhas emocionais mais baratas vistas no cinema no ano passado.

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16 Respostas para “10 Piores Filmes de 2010

  1. “De Pernas Pro Ar” e “O Amor Acontece” não entrariam na minha lista. Mas, concordo com as inclusões de “Insolação” e “O Último Mestre do Ar”.

  2. Aco que você foi bom demais tratando Insolação de “indiferente”. O filme é muito ruim, com pretensões de “filme de arte” que, no fundo, não diz porra de nada. O pior é ver um elenco excelente com um texto ruim daquele. O cinema nacional não precisa disso, definitivamente. O Último Mestre do Ar nem é o pior do Shyamalan, mas é bem fraco das pernas mesmo. E olha que O Pecado de Hadewijch nem é ruim assim. O cinema do Dumont que exige mais paciência; eu particularmente não gosto do final do filme. E esse Segurança Nacional tem muito cara de ser ruim mesmo, mas não vi (nem quero).

    • Rafael, eu concordo com você, mas a experiência de se ver “Insolação” é tão negativa que é difícil descrever. Acho que “indiferente” foi o que melhor encontrei para definir meu sentimento com a obra, vendo que nele havia até uma história universal sobre amores não correspondidos. E eu não tive (ainda) oportunidade de assistir a outro filme do Dumont, mas depois de “Hadewijch” eu nem me animei em ir correr atrás. Ah, e eu nem vi “Federal”, mas dizem que esse filme com o Selton Mello faz com que “Segurança Nacional” seja um filme até suportável.

  3. Todos disseram que ‘Isolação’ é ruim, preciso dar uma conferida. ‘O Ultimo Mestre do Ar’ também, quanto ao resto, pura porcaria mesmo.

    • Cleber, “Insolação” você nem precisa se dar ao trabalho de conferir, mas “O Último Mestre do Ar” algum dia deve ser assistido. O trabalho de Shyamalan precisa ser acompanhado, mesmo nos tropeços.

  4. Fala Alex! Ficou da hora esse novo layout do blog..show de bola cara!!!!
    “The King of Fighters – O Filme” é uma bosta msm, eita troço horroroso!
    “O Grito 3” eu tbm detestei!
    “O Último Mestre do Ar” foi pura decepção, fraquíssimo, pra ñ dizer medíocre!
    “Par Perfeito” é uma bomba, argh!!!
    “Segurança Nacional”, é uma aula de como ñ se deve fazer cinema nacional..rs..puts!!!
    “O Amor Acontece” até q me foi palatável, só pra ver a Aniston já valeu..
    Os outros eu ñ vi!
    Abs! Diego!

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