Trabalho Sujo


A ausência de uma figura materna pode ser cruel para muitas crianças, especialmente quando são duas meninas cuja mãe se suicidou. As consequências se apresentam na falta de ajuste em um rumo a seguir, como é evidenciado nas protagonistas de “Trabalho Sujo”, terceiro longa-metragem de Christine Jeffs. É o primeiro sucesso de bilheteria (ainda que discreto) desta cineasta independente nascida na Nova Zelândia, que chega agora ao Brasil com quase dois anos de atraso perante sua estreia nos Estados Unidos em circuito limitado.

A vida da jovem Rose Lorkowski (Amy Adams) é uma bagunça. Ela, uma mãe solteira, não parece contente com o próprio negócio de faxineira e mantêm relações com Mac (Steve Zahn), um policial casado. É ele que lhe sugere entrar em um ramo nada disputado e lucrativo: a limpeza de cenas do crime. Norah (Emily Blunt) sempre cuidou do filho de Rose, Oscar (Jason Spevack) e jamais conseguiu um emprego fixo. Rose e Norah assim se tornam sócias e abrem o Sunshine Cleaning, mantendo em ordem ambientes que não faltam roupas e restos de alimentos espalhados, objetos pessoais, vermes, muito sangue e às vezes alguma parte do corpo esquecida pela perícia, como um dedo.

É mesmo um trabalho sujo e as personagens baterão de frente pela primeira vez com as adversidades presentes em suas vidas. Com esse plot, Christine Jeffs, como nos ótimos “Chuva de Verão” e “Sylvia – Paixão Além das Palavras”, se encontra à vontade para outra vez dar forma a personagens femininas tão fortes, de sentimentos tão conturbados. É uma pena que a roteirista estreante Megan Holley não tenha equilibrado muito bem o drama e comédia com a fusão que esperava. A dramédia é um elemento característico do cinema indie, mas as intervenções do pai interpretado por Alan Arkin ou mesmo do garotinho Oscar não funcionam. A situação paralela da busca de Norah pela filha de uma senhora morta em uma das cenas do crime que fez a limpeza também não comove. Ao menos Amy Adams e Emily Blunt, uma das maiores revelações de intérpretes nos últimos anos no cenário americano, ganharam bastante suporte para expressarem todo potencial dramático. As atrizes respondem por momentos bem verdadeiros, especialmente quando recordam da ausência da mãe, fazendo com que “Trabalho Sujo” seja um esforço irregular assistível.

Título Original: Sunshine Cleaning
Ano de Produção: 2008
Direção: Christine Jeffs
Roteiro: Megan Holley
Elenco: Amy Adams, Emily Blunt, Alan Arkin, Jason Spevack, Steve Zahn, Clifton Collins Jr., Mary Lynn Rajskub, Eric Christian Olsen, Paul Dooley, Kevin Chapman, Judith Jones, Amy Redford e Christopher Dempsey
Cotação: **

 

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6 Respostas para “Trabalho Sujo

  1. Eu não conhecia esse filme até então, mas mesmo você não tendo apreciado muito fiquei bastante interessado em ver por causa de Amy Adams, Emily Blunt e Alan Arkin. A trama também me interessa bastante! Abraço e feliz natal! :)

  2. Pingback: Tweets that mention Trabalho Sujo « Cine Resenhas -- Topsy.com·

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