A Sétima Alma

Em duas oportunidades o cineasta Wes Craven deu um verdadeiro agito no gênero horror. E em décadas diferentes. Em 1984 criou Freddy Krueger, até hoje um dos vilões mais famosos da história do cinema. Já em 1996 o feito foi ainda mais impressionante com “Pânico”. Responsável por todos os episódios da trilogia estrelada por Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette, Wes Craven coletou todos os padrões imagináveis do gênero para algo totalmente novo. Mesmo com toda sua importância, Wes Craven anda na corda bamba. Às vezes mantém o equilíbrio com fitas bacanas como “A Maldição dos Mortos Vivos” (produção de 1988 estrelado por Bill Pullman) e o recente “Voo Noturno”. Em outros momentos despenca para investidas incompreensíveis (como o drama “Música do Coração”, com Meryl Streep) ou uma mistura tosca de humor e horror (“Um Vampiro no Brooklyn”, talvez o seu pior filme).

“A Sétima Alma” registra o primeiro filme de Wes Craven como diretor e com roteiro original de sua autoria desde “O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger”. A impressão é que existe a vontade da criação de um novo grande vilão, mas O Estripador de Riverton periga ser esquecido pelo público já nos créditos finais de “A Sétima Alma”, automaticamente integrando a lista negra de filmes ruins do diretor. O Estripador de Riverton recebe uma rápida introdução no thriller e com a sua morte acontece o nascimento prematuro de sete bebês. Reza a lenda que nestas crianças, agora adolescentes de dezesseis anos, foram transferidas as almas d’O Estripador de Riverton, pai de família com múltiplas personalidades. A morte de Jay (Jeremy Chu) faz com que todos acreditem que o psicopata está de volta para roubar aquilo que lhe pertencia: suas almas, personalidades. O protagonista Bug (Max Thieriot, o filho de Julianne Moore e Liam Neeson em “O Preço da Traição“) é um suspeito em potencial, vendo o seu comportamento sinistro em situações isoladas.

Existem passagens no roteiro de “A Sétima Alma” bem divertidas. As principais têm humor com um pingo de tensão, especialidade de Wes Craven. A presença de Max e seu amigo Alex (John Magaro) na apresentação de um projeto escolar é engraçada e dá uma ponta de ansiedade em saber que fim dará a situação. Uma outra que envolve um celular escondido no banheiro feminino a fim de flagrar uma conversa entre garotas também é ótima. Já na hora de assustar verdadeiramente a plateia o velho Wes Craven se mostra um zero à esquerda. Não há quem ature mais perseguições insossas no meio da floresta e atitudes estúpidas de adolescentes ao enfrentar uma ameaça. Sem dizer o ato final, alongando até dizer chega ao revelar a identidade do responsável pelos crimes. Um lançamento nacional no formato 3D (e “A Sétima Alma” se tornou notório pelo fracasso nos cinemas estadunidenses mesmo com a solução capenga de pós-produção) tornariam as coisas ainda piores. O que era para ser um aquecimento para o retorno de Wes Craven a série “Pânico” (o quarto episódio será lançado em abriu de 2011) só nos deixa mais temerosos enquanto ao destino que aguarda a nossa mocinha Sidney Prescott.

Título Original: My Soul To Take
Ano de Produção: 2010
Direção: Wes Craven
Roteiro: Wes Craven
Elenco: Max Thieriot, John Magaro, Denzel Whitaker, Zena Grey, Nick Lashaway, Paulina Olszynski, Jeremy Chu, Emily Meade, Raúl Esparza, Jessica Hecht, Frank Grillo, Danai Gurira e Harris Yulin
Cotação: **

 

Anúncios

7 Respostas para “A Sétima Alma

  1. Não que eu seja fã do cara, mas como você falou ele teve uma enorme importância qdo lançou o filme Panico, que mudou os rumos dos filmes de terror.

    Pelo jeito esse aqui não tem nada de revolucionário!!

    Abraços.

  2. Eu realmente adoro o Wes e torço muito para o sucesso dele (a volta de Pânico é um dos filmes mais aguardados por mim esse ano, muito por causa do bacana elenco anunciado e a volta de outros). Mas realmente O Estripador de Riverton virou fumaça depois da exibição do longa. Achei fraco, sem sustos o suficiente e até ‘amador’ na criação do suspense, por mínimo que ele seja. Enfim, não gostei nem um pouco, mesmo que ainda ache o Wes um gênio do terror adolescente

  3. Pingback: Pânico 4 « Cine Resenhas·

Opine!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s