Guerra ao Terror

Guerra ao TerrorAssim como aconteceu com os títulos mais recentes da filmografia da diretora Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror” passou meio despercebido diante dos olhos do público. Evidência disto está no total descaso cometido pela distribuidora Imagem Filmes no início de 2009 ao lançá-lo  diretamente ao mercado de vídeo e sem qualquer alarde. Um erro que poderia se repetir em outros países, se não fosse o filme ser exibido nos cinemas americanos em junho do ano passado e coletar elogios unânimes da imprensa especializada. Foram setenta e dois o total de prêmios arrecadados em festivais cinematográficos, o que inclui seis vitórias no Oscar nas categorias de melhor filme, direção, roteiro original, edição, som e edição de som.

Há aqui mais uma história guiada pelos soldados americanos no Iraque, mas com uma missão diferente de outras verídicas ou ficcionais testemunhadas durante parte da década passada: desarmar bombas. O esquadrão, a princípio, é liderado pelo sargento Matt Thompson (Guy Pearce), que acaba sendo morto com a explosão que tentou evitar com recursos precários. William James (o eficiente Jeremy Renner, de “Extermínio 2“, pouco conhecido antes de sua indicação ao Oscar pelo papel) é quem o substitui. A princípio, os soldados Sanborn (Anthony Mackie) e Owen Eldridge (Brian Geraghty) encaram William como um homem arrogante ao ponto de arriscar a sua própria vida e de sua equipe, mas há camadas a serem descobertas ao longo da jornada exaustiva e perigosa dentro deste cenário crítico.

A surpresa de “Guerra ao Terror” reside na sua direção. É difícil associar este tipo de filme a uma mulher, o que não impede de Kathryn Bigelow quebrar barreiras para a criação de um drama de ação cheio de sequências arrebatadoras. É impressionante cada detalhe registrado pela câmera, que vai de explosões e ruínas até o cansaço de personagens portando metralhadoras em meio ao deserto escaldante. Bigelow se dá até ao luxo de fazer com que intérpretes de renome como Ralph Fiennes (com quem trabalhou em “Estranhos Prazeres”) façam somente pontas na tela. É um trabalho feito com garra e que se desvia de qualquer senso de patriotismo. O que move o complexo protagonista é a adrenalina de seu trabalho ingrato e não a estada em sua casa com a esposa e o filho pequeno, representando um cotidiano monótono e sem aquela razão de viver presente somente nos campos de batalha.

Título Original: The Hurt Locker
Ano de Produção: 2008
Direção: Kathryn Bigelow
Elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, David Morse, Christian Camargo, Evangeline Lilly, Guy Pearce e Ralph Fiennes.
Cotação: 3 Stars

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16 Respostas para “Guerra ao Terror

  1. Também penso que a direção de Bigelow foi a grande surpresa desse filme. Não tinha muito conhecimento sobre seu trabalho prévio e tive uma impressão mais do que positiva com “The Hurt Locker”.

  2. Estou curiosa mais pela direção da Kathryn. Mas, uma coisa digo: fiquei com a pulga atrás da orelha com alguns prêmios que o filme levou, principalmente roteiro, onde tinham concorrentes como “Bastardos Inglórios” e “Up”.

    Beijos! ;)

  3. Bom filme, mas eu não daria o prêmio de melhor filme a ele. Os efeitos sonoros sim são sensacionais, mas o restante é tão comum- assombrosamente real e atual- mas pra mim, comum.

  4. – Mayara, eu gostei do roteiro de “Guerra ao Terror”, mas não ao ponto de acreditar que era o melhor dentro dos indicados. De qualquer maneira, Kathryn Bigelow faz o que pode com o script que lhe caiu nos colos. Beijos!

    – Marcelo, também tive essa impressão ao término do filme.

    – Linderval, o filme não é ruim de maneira alguma. Mas tenho que concordar enquanto aos concorrentes de peso, onde muitos eram melhores.

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