Wendy and Lucy

Wendy and Lucy
Quando há pouco dinheiro investido na realização de um longa-metragem, um diretor, geralmente também assumindo a função de roteirista, consegue moldar a sua produção ao seu modo, deixando uma marca autoral. É o que Kelly Reichardt, diretora com expressiva contribuição para o cinema independente (mas cujas obras como “River of Grass” e “Antiga Alegria” não receberam sequer a chance de ser lançadas em nosso país em DVD), faz. “Wendy and Lucy”, onde se estima que o seu custo não ultrapassou o valor de quinhentos mil dólares, tem um formato simples, história que abre poucos espaços para revelações, mas que comove o espectador se este se deixar levar pelo filme.

A premissa se resume ao companheirismo da jovem Wendy (Michelle Williams) com a sua cadela Lucy. O seu destino é chegar ao Alaska e ela tem um velho carro e pouco dinheiro para isto. Em uma conversa com um velho vigia (Wally Dalton, ótimo) vemos que Wendy quer ter uma vida por lá. Só que não sabemos exatamente o que faz ela seguir com a sua solitária jornada, só tomamos conhecimento da Wendy que faz uma parada obrigatória em Oregon por conta do carro que apresenta problemas e da sua Lucy que desaparece enquanto responde pelo flagrante de furto em um supermercado.

Mas não se trata de um filme vazio. Michelle Williams como protagonista apresenta um trabalho arrebatador, no seu melhor papel e desempenho em toda a carreira. A sua interpretação permite que nos coloquemos em seu lugar. É possível deduzir que Wendy, anterior ao momento de sua vida narrado no filme, passou por um acontecimento que a deixou com sentimentos bem tumultuados. Isto é patente diante da sua relação com Lucy, talvez o único ser com que ela possa contar com a companhia e com a confiança. Os seus olhares profundos, sua voz suave mas triste entregam uma mulher sem um rumo, solitária e que a todo momento sabe que terá que aumentar as suas economias para conseguir atingir os seus objetivos.

E com isso Kelly Reichardt obtêm um feito surpreendente, que é o de observemos Wendy não somente como uma personagem, mas como uma pessoa que poderia existir de verdade. É um filme melancólico (o clímax, centrado em uma escolha de Wendy, é de partir o coração). Mas também é lindo com o poder que tem de transmitir as emoções de sua personagem central com tanta profusão.

Título Original: Wendy and Lucy
Ano de Produção: 2008
Direção: Kelly Reichardt
Elenco: Michelle Williams, Wally Dalton, Will Patton, John Robinson, Will Oldham e Larry Fessenden.
Nota: 8.5

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20 Respostas para “Wendy and Lucy

  1. É mais um filme da série “Cachorrinho Querinho do meu coração” ? Ou o filme explora mais a angústia do ser humano diante da perda de algo valioso ?

  2. Muito bem escrito o texto. E estou gostando da fase de Michelle Williams, quero muito ver este filme. A atriz esteve muito pero de conseguir uma indicação ao Oscar por ele, portanto espero que chegue logo ao Brasil – se chegar esse ano ou em DVD…

    Já te linkei em meu blog e já te convido pra visitá-lo. Parabéns pelo seu espaço!

    Diego
    (http://www.blogcinemania.blogspot.com)

  3. Alex, estou SUPER ansioso para esse filme. Além dos diversos elogios à Michelle Williams (você confirmou que é o melhor trabalho de sua carreira), “Wendy e Lucy” tem o tipo de trama que me agrada, justamente por ser mais próxima da realidade.

  4. Desde BROKEBACK MOUNTAIN, tenho olhado Michelle Williams com outros olhos (duh, essa frase ficou feia). Lembro dela ainda como a garota do DAWSON’S CREEK. Por isso e por gostar de dramas com esses elementos citados, pegarei o filme quando sair aqui em DVD.

    Cumps.

  5. Esse filme me surpreendeu. Consegue dizer tanta coisa com tão pouco. Realmente incrível. O final, inesperado, também é sublime. Michelle Williams deve fazer mais coisas como esta (e Medo e Obsessão, de Wim Wender, no qual também está ótima).

    Abraços!

  6. Diego, muito obrigado pela visita e pelo comentário. Já dei uma passadinha no seu blog e ainda hoje pretendo retribuir o comentário e relacioná-lo ao blogroll.

    Vinícius, sempre gostei da Michelle Willians, até mesmo no recente “A Lista” eu fui com a cara dela. Mas aqui ela se supera!

    Gustavo, é impressionante toda essa evolução dela. Do seriado “Dawnson’s Creek” (que eu via raramente, mas que gostava – tenho uma irmã que era fanática) ela é quem mais se saiu bem na carreira cinematográfica. Abraços!

    Kamila, digamos que ela é a alma do filme.

    Ciro, é exatamente por isto que admirei o filme. Ele parece ter pouco a oferecer, mas no final das contas ele nos deixa uma marca irreparável. Maravilhoso! E eu ainda estou para assistir “Medo e Obsessão”. Abraços!

    Cleber, você usa Torrent?

    Bruno, eu baixei no mês retrasado e não tive problemas. Quer que eu te passe o arquivo do Torrent?

    Rafael, eu gosto dela, mas não sou fã. Mas há de se elogiar a intensidade dos seus recentes desempenhos, a sua evolução como intérprete. Se continuar assim vai virar minha musa!

    Mayara, que bom que Willians não é o único atrativo do filme para você. Mas como disse em meu texto a premissa é bem diferente de tudo o que você já tenha visto. Beijos!

  7. Fala Alex! Também gostei muito de Wendy & Lucy. Tudo nessa história é centrado em sinceridade e melancolia. O final, de fato, é de partir o coração …

    abs.

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