O Tempo de Cada Um

O Tempo de Cada Um | Personal Velocity: Three Portraits
Existe um instante em nossas vidas no qual planejamos uma mudança radical. O cansaço da submissão, da convivência com pessoas distantes de tudo e a escolha de um caminho melhor para prosseguir requer coragem e o tempo certo de se agir. Parece uma abordagem fácil para se fazer um filme, mas, assim como na vida real, não é. Essa ambição em decifrar o que pode se tornar um sentido na vida  ou quais escolhas devem ser tomadas para isto é o tema selecionado pela diretora Rebecca Miller em “O Tempo de Cada Um”, um drama independente inspirado em contos de sua própria autoria. Mais conhecida por ser esposa de Daniel Day-Lewis e filha do famoso dramaturgo Arthur Miller, Rebecca Miller construiu três mulheres cuja única ligação é a notícia recebida de formas distintas onde informa que, pela madrugada, houve uma tragédia.
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Delia (Kyra Sedgwick) é a primeira a ser apresentada. Dura e liberal, mas mãe e esposa dedicada, ela apanha do próprio marido por tolos motivos. Apesar de sempre planejar uma fuga, Delia o ama. O segundo (e melhor) episódio a personagem é Greta (Parker Posey), uma editora de livros um pouco deprimida por não amar o seu marido e sentir grande incômodo por viver à sombra do pai advogado bem-sucedido. Mas será o sucesso da parceria (e relacionamento) com o escritor Thavi Matola que Greta decidirá o que fará daí por diante. Para encerrar estes retratos, Paula (Fairuza Balk), que tem ligação direta com a tal tragédia dita anteriormente, esconde estar grávida do namorado e retorna à cidade onde sua mãe mora depois de tantos anos. Mas a carona que presta ao garoto Kevin a fará pensar profundamente sobre a situação que está.
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Rebecca Miller, que antes  só havia dirigido um longa nada visto (“Angela”, de 1995) e interpretado papéis minúsculos em filmes como “O Círculo do Vício” e “Love Affair – Segredos do Coração”, rodou “O Tempo de Cada Um” logo após a publicação de “Personal Velocity”, que obteve grandes elogios por parte da crítica literária. Na adaptação para o cinema comprova forte domínio diante da realização em recurso digital, onde as interpretações ganham destaque. Kyra Sedgwick, Parker Posey e Fairuza Balk estão sublimes e conseguem se superar diante da pouca densidade conferida por Rebecca Miller diante de alguns acontecimentos. Esta pequena incorreção, no entanto, não impediu que a cineasta fosse reconhecida no Independent Spirit Awards (Prêmio John Cassavetes) e no Sundance Film Festival (Grande Prêmio do Júri). Com os três bons retratos femininos que compôs, Miller é uma profissional a se observar dentro do cinema independente. O seu próximo filme será “The Private Lives of Pippa Lee”, também adaptação de um dos seus livros que trará Robin Wright Penn como protagonista e Keanu Reeves, Alan Arkin, Mike Binder, Julianne Moore, Winona Ryder, Maria Bello, Monica Bellucci e Blake Lively como coadjuvantes.
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Título Original: Personal Velocity: Three Portraits
Ano de Produção: 2002
Direção: Rebecca Miller
Elenco: Kyra Sedgwick, Parker Posey, Fairuza Balk, Lou Taylor Pucci, Joel de la Fuente e narração de John Ventimigli.
Cotação: 3 Stars

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7 Respostas para “O Tempo de Cada Um

  1. O elenco feminino (Kyra Sedgwick, Parker Posey e Fairuza Balk) realment chama muito a atenção, até porque as três brilham quando tem uma boa oportunidade no cinema – pena que nunca tenham alcançado o reconhecimento. E já estou curioso a respeito do novo filme da Rebecca Miller.

  2. Vinícius, mas para falar a verdade eu prefiro que esse “reconhecimento” nunca chegue. Sabe por que? Olha só o que o cinemão fez quanto teve a oportunidade de pegar essas atrizes: Balk fez “A Ilha do Dr. Moreau”; Posey “Blade Trinity”; Sedgwick “Fenômeno”. Então prefiro continuar apreciando elas através do cinema independente. E “The Private Lives of Pippa Lee” já é um dos filmes que mais aguardo para os próximos meses.

  3. Sempre tive carisma pela atriz Kyra Sedgwick desde que a vi anos atrás em “Obsessão de Kevin Bacon” Vi esse filme na locadora e até manuseei algumas vezes porém não tinha referência nenhuma, agora tenho. E boa.

  4. Marcelo, eu também. E você mencionou justamente aquele que foi o filme onde ela me conquistou: “Loverboy”. Tenho até ele na prateleira. E vale a pena alugar “O Tempo de Cada Um”, você deve gostar.

  5. Mayara, não procurei pesquisar muito sobre a recepção conferida à “The Private Lives of Pippa Lee” no festival de Berlim. Aliás, é uma boa observação, lerei o que foi comentado agora. Beijos!

  6. Pingback: Indicados ao Independent Spirit Awards 2012 – Comentários e Apostas « Cine Resenhas·

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