O Último Trem

O Último TremMesmo que não seja um Stephen King o inglês Clive Barker é um nome muito popular dentro do universo terrorífico do cinema e da literatura. Autor de contos sobrenaturais que serviu de fonte para os filmes da série “Candyman” e outros longas como “O Mestre das Ilusões”, “O Santo Pecador” e “A Praga”, foi através de “Hellraiser – Renascido do Inferno” que Barker atingiu grande notoriedade.  É exatamente pelo seu trabalho que o filme “O Último Trem” se torne uma novidade tão aguardada. Quem orquestra o espetáculo de sangue é o japonês Ryûhei Kitamura (de “Azumi”), mas o roteiro de Jeff Buhler (que dirigiu e também escreveu “Insanatório – Quem Entra, Não Sai”) é adaptação de “O Trem de Carne da Meia-Noite”, um dos contos de Barker que integra o “Livro de Sangue”.

A trama gira em torno de Leon (Bradley Cooper) e a obsessão que surge ao perseguir um estranho (Vinnie Jones). Ele vive com a namorada Maya (Leslie Bibb), que trabalha em um restaurante. Ele vive da fotografia e precisa impressionar Susan Hoff (a quase desaparecida Brooke Shields, que está muito elegante), que exige capturas criativas e que transmitem coisas inovadoras para servir de atração em uma galeria. Ele obtém êxito em uma noite dentro de um metrô ao iniciar o seu serviço quando marginais provocam uma bela modelo. Se isso faz com que ela consiga paz, pois os sujeitos vão embora para não arrumar encrencas, logo será morta dentro do tal “trem de carne da meia-noite”. No dia seguinte, a detetive Lynn Hadley (Barbara Eve Harris) interroga Leon já informando sobre o desaparecimento da mulher que na noite anterior ele protegeu quase que involuntariamente. Daí Leon inicia uma busca e uma fascinação crescente pelo personagem de Vinnie Jones, aquele que ele julga ser o responsável pelas atrocidades que acontecem dentro do misterioso trem.

É o espaço deixado para Ryûhei Kitamura dar um show de direção na violência bem gráfica de “O Último Trem”. Os hábeis movimentos que o cineasta faz com a sua câmera são delirantes. Fiquem atentos, por exemplo, quando uma mocinha é golpeada na cabeça com uma das ferramentas de Vinnie Jones e a tela rodopia por causa de todo o impacto. É horror para ninguém botar defeito. Ou quase, pois o último ato chega para marcar um ponto frustrante para a experiência. O elenco é ótimo e Kitamura entra de forma muito positiva dentro do cinema americano. Mas surge a impressão que o conto de Clive Barker foi esticado além da conta e reservando somente para  os minutos finais as revelações e justificativas do mistério que ronda todo o filme, deixando tudo bem artificial.

Título Original: The Midnight Meat Train
Ano de Produção: 2008
Direção: Ryûhei Kitamura
Elenco: Bradley Cooper, Leslie Bibb, Vinnie Jones, Roger Bart, Tony Curran, Barbara Eve Harris, Stephanie Mace, Ted Raimi e Brooke Shields.
Cotação: 3 Stars

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23 Respostas para “O Último Trem

  1. Achei que a sua nota fosse ser maior! Me interessou pelo que você fala sobre a direção, porque por esse tipo de trama em si eu não tenho tido muita paciência. Me parece sempre mais do mesmo no gênero. Será que ninguém reiventa isso?? Acho que sou chato mesmo. hehe

  2. Fã de carteirinha de Clive Barker eu estou relendo as seis exempleres dos Livros de Sangue, e como fã, aguardei bastante essa obra. Me decepcionei bastante com o final, pois não foi isso que eu li sobre os “residentes do metrô” mas enfim, acho que ao lado de Rec esse é o melhor horror de 2008, E como fã, o conto “O trem de carnE da meia noite é muito mais horror do que isso. Aliás recomendo a lerem ao menos um conto e vejam que Barker é ainda melhor que Stepehen King (eu acho)Só não tem tanta experiência quanto o mestre.

  3. Olá, Alex! Tudo bem?

    Não conhecia as histórias de Clive Barker, mas já soube do filme e ele foi muito elogiado, se não me engano. Mas verei se puder, já que parece que vai chegar em DVD este mês.

    Beijos e tenha uma ótima semana! ;)

  4. Victor, eu fui muito malvado na hora de dar a cotação para o filme, mas seis é uma nova boa e justa. Mas diria que vale a pena ficar mais atento ao gênero e aos bons produtos que ele produz. “[REC]”, “Os Estranhos”, “O Nevoeiro” e “Morte Súbita” é só alguns exemplos positivos recentemente.

    Kamila, o Clive é responsável por “Hellraiser – Renascido do Inferno”, um forte longa de horror que você deveria assistir ao menos para registrar na memória ou pela experiência grotesca que ele produz.

    Marcelo, eu já li alguns trechos dos seus contos com base em algumas pesquisas na Internet, mas nunca ao ponto de um expert como você no assunto. E será mesmo que, na escrita, Barker é melhor que King? Hum… Um dia verei!

    Mayara, tudo! O filme foi muito bem recebido por público e crítica, o que já é algo o suficiente para dar uma espiada. E o filme chega, sim, em DVD este mês, no dia 8 pela Universal. Beijos e tenha também uma ótima semana!

  5. Só pela foto que ilustra o post, o filme parece ser mesmo bem GRÁFICO. Gosto do Vinnie Jones nos filmes do Guy Ritchie, mas sobre esse ainda não tinha ouvido falar. Quando tiver a oportunidade, vou ver.

    Abraços!

  6. Diego, faz bem, pois trata-se de um bom longa de horror. Abraços!

    Ciro, eu AMO a cena que ilustra esse post! E eu odeio o Guy Ritchie. Desta forma, também odeio Vinnie Jones em seus filmes. Abraços!

  7. Vi ontem esse, e valeu a pena pela violência toda e efeitos gráficos confome vc disse, mas aquele final botou tudo a perder, bem nada a vê. nota 4.5!
    Mas o diretor japonês Ryûhei Kitamura tem filmes muito melhores q esse aí, eu te recomendo a procurar pra ver: “Azumi” (q é um sensacional, épico de samurais com lutas de espadas, uma obra prima do gênero), “Versus” (q é muito irado, um misto de mortos-vivos com artes marciais violentíssimo) e “Sky High” (pancadaria pura)!
    Esses 3 são filmes imperdíveis do diretor!
    Abs! Diego!

  8. Diego, uma vez quase vi “Azumi”, mas tive que devolver o DVD que peguei emprestado com um colega. E tomei conhecimento de outros filmes do Kitamura após assistir a este “O Último Trem” e certamente já estou providenciando um tempo livre para conferir ao menos os que estão disponíveis por ai. Abraços!

    Lucas, muito bom você ter curtido. É um filme que também recomendo, apesar das ressalvas.

  9. sobre esse filme gostei apenas das cenas de morte uito legal mesmo bem sanguinário adoro isso,num todo esse filme foi péssimo principalmente o final eu daria 4.0 pelas cenas de assasinato brusco apenas.

  10. Realmente, o final é ruim. Mas a direção de arte é foda, a história é boa, as atuações são ótimas, a trilha é legal e a maneira com que é filmado – trabalho do Kitamura – é surpreendente. Merecia, ao menos, um sete. :)

    abss

  11. Fernando, eu daria um sete se o final não tivesse me decepcionado tanto. Mas a cotação que concebi para o filme é positiva. Abraços!

  12. Pingback: Revolta Saladínica: Terror no Brasil | d3system·

  13. Mesmo que não seja um Stephen King???? Nossa, parei por aqui! O Clive Barker é anos luz melhor que o King. O King deu sorte e conseguiu escrever dois ou três livros bons em sua carreira enquando o Barker, tudo o que escreve é, no mínimo, genial. não existe nada na enorme carreira do S.K. que se quer chegue à sombra de clássicos absolutos da literatura e do cinema como, por exemplo, Hellraiser, Candyman e O Mestre das Ilusões.

    Literariamente falando, nem tem o que dizer. Os recursos de escrita do Barker são dez mil vezes superiores aos do King.

    “Mesmo que não seja um Stephen King!” Essa foi boa!

  14. Li os Livros de Sangue nos anos 90 – ainda não achei nada que bata o talento de Baker no quesito papel/caneta. Infelizmente suas adaptações não tiveram o merecido cuidado – salvo o clássico Hellraiser e estamos esperando pela nova versão do autor/diretor -, o que deixa o britânico um pé atrás do veterano King, que já contou com adaptações de seus livros nas mãos de conceituados diretores, vide O Iluminado e Cristine, o carro assassino. Mas o cara é bom e estou SEDENTO para ver esta versão de seus contos macabros. Valeu!

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