A Família Savage

Não é de hoje que o cinema independente traz a sua remessa de filmes dramáticos cuja premissa anuncia que nada vai bem a família que retrata. E a realização que recebeu um maior destaque recentemente é “A Família Savage”, este contando com Tamara Jenkins na liderança da direção e roteiro (ganhando uma menção ao Oscar pelo script original). Conhecida por interpretar uma das melhores amigas de Marisa Tomei em “Feliz Coincidência” e por dirigir esta em “O Outro Lado de Beverly Hills”, longa protagonizado por Natasha Lyonne, Jenkins trabalha aqui com uma família composta por três membros, sendo um pai e seu casal de filhos já bem adultos.

Algo de impactante aconteceu no passado destes dois irmãos que os fizeram estabelecerem uma grande distância do próprio pai. Mas os três terão de se reunir, depois de muito tempo sem qualquer tipo de aproximação, quando Philip Bosco, o patriarca Lenny, passa por sérios problemas vindos com a sua velhice e a morte de sua última esposa. Laura Linney e Philip Seymour Hoffman são Wendy e Jon Savage, os filhos que terão de arrumar uma residência para o velho viver quando é expulso pela família da falecida companheira, pois não adquiriu herança alguma com a morte dela. Mas Wendy e Jon não estão interessados em se tornarem responsáveis por Lenny, pois a primeira já possui os seus problemas pessoais, como o fato de namorar com Larry (o ótimo Peter Friedman, o vizinho de Bridget Fonda em “Mulher Solteira Procura”), um homem mais velho e casado e não consegue ter sucesso com os seus romances, enquanto o segundo, um professor, nem acompanha a sua namorada quando ela tem de voltar para o seu país natal.

Embora muito comparado com “A Lula e a Baleia” pelos protagonistas passarem por grandes crises emocionais (talvez um reflexo vindo do personagem de Jeff Daniels neste longa de Noah Baumbach), o resultado está muito mais para “Conte Comigo”, que, coincidentemente, também é protagonizado por Laura Linney. Os irmãos têm personalidades diferentes e que, mesmo que insistam, não conseguem estabelecer controle nas próprias vidas. Além do mais, é acrescentado em cena um conflito que se fixou desde a infância destes irmãos, como também acontece em “Conta Comigo”, mas de circunstâncias bem distintas. Mesmo assim, Jenkins elaborou um filme autêntico e triste – cuja cena inicial, uma dança coreografada com mulheres dançando através de uma leve canção, um lance de aparências, nada se conecta com os cenários escuros e melancólicos que os personagens transitam -, e com virtudes que devem ser creditadas à Laura, uma atriz extraordinária, luminosa e com um talento singular capaz de deixar crível qualquer personagem que incorpora. O filme é todo dela e, por isto mesmo, ele é especial e otimista.

Título Original: The Savages
Ano de Produção: 2007
Direção: Tamara Jenkins
Roteiro: Tamara Jenkins
Elenco: Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco, Peter Friedman e David Zayas
Cotação: 3 Stars

Anúncios

11 Respostas para “A Família Savage

  1. Pingback: A Família Savage : natal·

  2. Alex, na verdade gosto muito de “A Família Savage” como um todo. É um filme muito bem dirigido, atuado e principalmente roteirizado, merecendo um maior reconhecimento do que o obtido. Mas tem razão quanto à Laura Linney, que atriz maravilhosa – minha preferida do ano, aliás. Um ótimo feriado para você também!

  3. Olá, Alex! Tdo bem?

    Achei “A Família Savage” uma grata surpresa, tem um roteiro bem escrito. E como você disse na resenha o filme é da Laura Linney, que mereceu a indicação ao Oscar!

    Beijos e um feliz Natal! Tdo de bom para vc! ;)

  4. Brenno, exatamente!

    Vinícius, na minha opinião os pontos que você destaca e que gostou só ganham vida mesmo através da Laura.

    Hugo, acho que só a Laura é excepcional mesmo.

    Mayara, tudo bem, obrigado. E fiquei muito surpreso pela indicação dela no Oscar. Com toda a certeza foi um dos grandes acertos da Academia este ano. Beijos, espero que tenha tido um ótimo feriado.

  5. Alex, não acho que “A Família Savage” seja parecido com “A Lula e a Baleia”. Aliás, é bem superior. Apreciei bastante o resultado do filme da Tamara Jenkins, especialmente a interpretação dos protagonistas. O que me impressionou foi como o roteiro é maduro e está longe de ser uma comédia como o trailer enganoso indica.

  6. Matheus, eu também não acho que ambos os longas sejam semelhantes, apesar de muitos apontarem isto. Ele é muito mais “Conte Comigo”. E não considero o roteiro todo esse arraso. A história só atinge pontos mais elevados pelo desempenho de Linney.

  7. Pingback: Melhores de 2008: Atriz « Cine Resenhas·

  8. Pingback: Os Descendentes « Cine Resenhas·

Opine!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s