Especial Brian De Palma: Carreira – Parte II

Os anos mais recentes reservou um destino melhor ao diretor. Depois de dez anos, De Palma voltou a dirigir um roteiro de sua própria autoria, resultando no excelente “Femme Fatale”, suspense estiloso, sensual, complexo e surpreendente. É um Brian De Palma renovado, mesmo que se aproveite de alguns elementos de outros de seus trabalhos, como o constante uso de split screen (um recurso de tela dividida) e, como o título já entrega, uma mulher fatal como destaque da história. Mas a recepção de público e crítica não foi totalmente positivo, um comportamento repetido também no lançamento de “Dália Negra”. Mesmo que este suspense possa não ter captado a genialidade do livro escrito por James Ellroy (ao qual se inspirou no assassinato de sua própria mãe), ao menos serviu para trazer de volta o fabuloso espírito dos filmes noir no cinema contemporâneo. E o filme ainda reserva outros méritos, como os desempenhos de Hilary Swank, Mia Kirshner e Fiona Shaw e novas sequências mirabolantes que figuram entre as melhores concebidas por De Palma, a exemplo daquela onde uma tragédia acontece nas escadarias de um edifício.

Atualmente, Brian De Palma está envolvido em dois projetos. O primeiro é o prequel de “Os Intocáveis”. Só que há problemas, e o principal deles se trata de quem convocar um ator para dar vida a um jovem Jimmy Malone, personagem que rendeu o Oscar para Sean Connery no filme original de 1987. Rumores indicavam anteriormente que Nicolas Cage seria o felizardo, mas teve de recusar a proposta por conflitos de agenda (e provavelmente por gostar de protagonizar filmes de segunda linha como podemos notar atualmente). Agora a responsabilidade aparentemente é de Gerard Butler. “Toyer” era outro filme cujo convite passou pelas mãos do diretor no lançamento de “Femme Fatale” (os mesmos produtores deste filme o convocaram), mas por motivos não divulgados De Palma não está mais ligado a adaptação do livro de Gardner McKay. No entanto, dizem que o mestre está confirmado para rodar em breve “O Estrangulador de Boston”, cujo fato real já inspirou um filme rodado em 1969 com Tony Curtis no papel-título.

Enquanto nada é confirmado pelo diretor sobre estes dois projetos, os brasileiros ainda devem aguardar por “Redacted”, talvez o filme mais polêmico do diretor desde os problemas de censura de “Scarface”. A história lembra “Pecados de Guerra”, mas a realização é totalmente distinta. Trata-se do fato real de soldados americanos que estupraram e mataram covardemente uma garota de 14 anos e, posteriormente, toda a sua família. Vencedor do prêmio de Melhor Direção no Festival de Veneza, o filme foi rodado após De Palma topar a proposta de realizá-lo com o valor de 5 Milhões de Dólares usando um tema que desejasse contar. Após uma longa pesquisa através de acessos à Internet, “Redacted” passou por transtornos pelos seus créditos finais, onde De Palma acrescentou fotos reais de pessoas mortas por soldados americanos em plena guerra no Iraque. Inconformado com este e por outros bloqueios, o próprio diretor disse numa entrevista de divulgação do longa: “Nem posso dizer o nome da cidade onde o episódio no qual ‘Redacted’ é baseado realmente ocorreu. Só posso indicar as cinco palavras que você deve colocar na sua busca on-line: EUA, soldados, Iraque, estupro, assassinato. Está tudo lá, para quem quiser saber”.

Este seu último filme completo de certa forma é um dos que melhor representa o diretor, dono de adjetivos como “autêntico sucessor de Alfred Hitchcock” e “diretor que melhor domina as técnicas do cinema” a “imitador barato do mestre do suspense” – ainda que De Palma se defenda com essa errônea terceira afirmação: “Não, já sou um velho cheio de experiências próprias. Tenho mais de 60 anos, nessa idade Hitchcock estava filmando ´Os Pássaros´. Acho que já desenvolvi meu próprio jeito de pensar e de contar história a essa altura. O universo ainda é mais ou menos o mesmo, suspense, horror, mistério e grandes sequências visuais, mas já não penso nele. Não quando estou filmando, pelo menos”, decreta ao divulgar “Femme Fatale”. E por maior que seja alguns de seus poucos erros, Brian De Palma já conseguiu o feito de marcar o seu nome definitivamente na história do cinema e na memória do público pela sua ousadia, originalidade, energia e, o que mais se destaca, a sua eterna paixão pela arte de se fazer cinema.

Com a carreira bem sucedida e lembrado pelos atores e atrizes com os quais trabalhou, Brian De Palma é hoje pai de duas garotas, Lolita e Piper, fruto do relacionamento com a produtora Gale Anne Hurd e com a atriz anônima Darnell Gregorio, respectivamente.

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24 Respostas para “Especial Brian De Palma: Carreira – Parte II

  1. Deste último post, assisti mais filmes citados, como “Femme Fatale” e “Dália Negra”. Acho que as duas obras são somente boas. Possuem elementos interessantes, mas, não sei se comparada às outras obras do diretor, fazem jus à ótima reputação que ele possui. Quero muito assistir “Redacted”.

  2. Kamila, “Femme Fatale” sim. “Dália Negra” definitivamente não. E vamos cruzar os dedos para um dia vermos “Redacted” no Brasil.

    Pedro, obrigado. O resumo da carreira termina aqui. Mas depois trarei alguns textos sobre o cinema do diretor.

  3. Bem informativos estes seus dois posts sobre o cineasta que tanto venera. Quanto aos filmes citados nesse, sabe que acho “Femme Fatale” maravilhoso. Mas “Dália Negra” foi um filme que minuciosamente foi caindo no meu conceito a cada revisão. Hoje já acho um trabalho completamente irregular até abaixo da média.

    Ciao!

  4. Alex, se você gosta tanto do De Palma assim, dê chance ao seu velho e grande mestre, Alfred Hitchcock! Na minha opinião até hoje insuperável no gênero suspense com uma grande história. O De Palma foi o seu pupilo mais fiel, mas tem o seu estilo próprio. Qual desses 3 filmes dele você gosta mais: Intocáveis, Um Tiro no Escuro ou Vestida para Matar? Você é de qual cidade mesmo? Abs.

  5. Os Intocáveis é o seu grande clássico no sentido que é o filme mais equilibrado e grandioso em termos de produção de sua carreira, mas o filme dele que mais mexeu comigo foi O Pagamento Final. Ah, e aquela cena final com o John Travolta em meio aos fogos em Um Tiro No Escuro é maravilhosa!

  6. Não vi Redacted, assim como Pecados de Guerra, mas pretendo ver o quanto antes. Dália Negra é um filme mediano, na minha opinião e também não vi Femme Fatale. Preciso ver mais alguns filmes do mestre.

  7. Wally, não sei qual seria minha reação com o filme se eu tivesse lido ao “Dália Negra”. Sei que você viu o filme primeiro e, antes de revê-lo e se decepcionar, leu ao romance posteriormente. Abraço.

    Denis, Alfred Hitchcock é um grande diretor, mas eu gosto muito mais do cinema de Brian De Palma, apesar deste segundo usar muito dos elementos do primeiro. E que pergunta difícil a sua, viu! Mas o meu predileto destes três (e do diretor) é “Vestida Para Matar”. Com exceção de “Os Outros”, foi o filme de suspense que mais me fascinou em toda a minha vida. Mas todos os três são dez. E confesso que fiquei extremamente emocionado com o encerramento de “Um Tiro na Noite”. Confesso que nunca imaginaria que ficaria tão triste num filme do De Palma como fiquei neste. Ah, e nasci e vivo na cidade de Santo André, no estado de Sampa. Abraços!

    Ibertson, só não vi “Redacted” por falta de oportunidade, mas recomendo que veja com urgência tanto “Pecados de Guerra” quanto “Femme Fatale”.

  8. Alex, dos filmes “pessoais” do DePalma eu fico dividido entre Vestida para Matar e Um Tiro na Noite, mas na parte técnica talvez “Vestida” se sobressaia. Aliás, pretendo escrever uma crítica sobre o mesmo, pois o revi recentemente. Nancy Allen é uma das garotas de programa mais sensuais e meigas da história do cinema. E aquela maravilhosa sequência dentro do museu com a Angie Dickinson é Hitchcock em estado puro, sem contar que a trilha do Pino Donnagio é uma das melhores de sua carreira. E o Pagamento Final, vc o coloca entre os primeiros?

  9. Denis, na verdade “Vestida Para Matar” é um festival de grandes momentos. Outra sequência da qual admiro extremamente é aquela onde se passa no metrô, onde Nancy Allen praticamente enfrenta dois perigos (aliás, não poderia deixar de concordar com a sua feliz afirmação sobre as suas personagens neste filme e em “Um Tiro na Noite”). E a cena do museu, ah que maravilha! É incrível como compartilhamos todo aquele nervosismo, perseguição, mistério e ansiedade. E não conheço a fundo todos os trabalhos do maestro Pino Donnagio (com exceção de suas colaborações com De Palma, lembro de ter gostado bastante pelo que ele fez no departamento musical de “Trauma”, do mestre Dario Argento), mas a sua música instrumental concebida para “Vestida Para Matar” é sublime (em “Um Tiro na Noite” nem se fala então, especialmente no tema “Sally and Jack”).

    Sobre “O Pagamento Final” acho, de longe, o seu melhor filme da década passada do diretor. A parceria De Palma e Pacino é algo divino, um encontro de feras. Mas se fosse avaliá-lo junto com os outros dos meus filmes prediletos do diretor, ele não ficaria entre os primeiros.

  10. É verdade, a cena do metrô é sensacional. Ela foge ao mesmo tempo do assassino e do grupo de ladrões, sem contar a inutilidade do policial com aquela cara de bunda. Hitchcocock também tinha pavor da lei e sempre menosprezava policiais, pois teve um trauma de infância no qual seu pai para repreendê-lo de uma pequena molecagem, o deixou preso atrás das grades como uma forma de castigá-lo! É mole? Um absurdo! Abs.

  11. Estou trabalhando num projeto de TCC para rádio, que envolve cinema e trilhas sonoras.
    Gostei de seus textos, e gostaria de saber em que cidade você está, pois, em meu projeto há a participação de um crítico/fã de cinema.
    Entre em contato, que te passo mais detalhes sobre o projeto, OK
    Thais
    (thaishsol@gmail.com)

  12. Denis, ao ler “Saudades do Século XX” vi que no capítulo dedicado a Alfred Hitchcock era informado este episódio marcante na vida do nosso adorado gorducho. Me parece que foi este período que o mestre sempre se lembrava ao rodar os seus suspenses mais celebrados. Abraço!

    Olá, Thais! Entrarei em contato o mais rápido possível para ver os detalhes do seu projeto. Moro na cidade de Santo André, no estado de São Paulo, e em breve estabeleço contato através do e-mail que você me passou. Espero poder auxiliá-la de alguma forma.

  13. Olá, Alex! Tdo bem?

    O especial está ótimo! “Dália Negra” é bom, mas achei que a Hilary Swank não me convenceu como mulher sedutora, infelizmente. E preciso muito ver “Pecados de Guerra”, pq estão dizendo por ai que “Redacted” é um tipo de continuação de “Pecados de Guerra”, será?

    Fique bem, beijos!!!

  14. Tudo bem, Mayara, e você? E acredita que gostei muito mais de Hilary Swank do que a Scarlett Johansson no filme? E as semelhanças de “Pecados de Guerra” com “Redacted” é que ambos tratam de um tema parecido: o estupro e assassinato de uma jovem mulher. Só que enquanto “Pecados de Guerra” é um longa onde De Palma se concentra muito em suas memórias passadas através do personagem de Michael J. Fox (ele temia participar da guerra do Vietnã) e quanto o homem pode se transformar ao presenciar os horrores descritos no longa, “Redacted” é mais um grito de um diretor inconformado com a violência que chegamos hoje em dia, sendo sua maior indignação a invasão de soldados americanos no Iraque.

    Beijos, tudo de bom.

  15. REDACTED está levando séculos para chegar até aqui. Para ter causado tamanha controvérsia, ou o filme é apenas sensacionalista (duvido) ou chega perto demais da realidade de assuntos incômodos para os EUA, daí a irritação (cenário muito mais provável). Talvez saia direto em DVD, infelizmente.
    Espero que dê tudo certo na preqüência de OS INTOCÁVEIS, que é o melhor filme que vi do seu Mestre até hoje.

    Cumps.

  16. Gustavo, ainda tenho fé de que receberemos “Redacted” nos cinemas, e não direto em vídeo. Só temos que aguardar mais uns momentos para ver qual distribuidora, enfim, será dono do filme em nosso país. E vamos ver se realmente teremos um prequel para “Os Intocáveis”. Abraços!

  17. Onde está redacted? q piada!

    ainda espero algum dia que o própria dE palma refilme Duble de Corpo ou melhor, faça um filme no estilo desse x-rated. seria um delirio em tds o sentidos!

    sinceramente, cortam d+ o aspecto criativo do diretor(sem isso sairiam filmes ainda mais deleitosos) e subestimam e apedrejam ele e só falam mal, e ficam botando Hitchcock Hitchcock pra cima dele e dos fãs. não é atoa que saem essas afirmaçoes dele. é mta pressao em cima. ta louco!

  18. Luan, o último boato que surgiu sobre “Guerra Sem Cortes” é que o lançamento seria este ano nos cinemas pela Imagem Filmes, mas até agora nada. E eu também não gosto dessas pessoas que limitam o seu cinema como puras referências aos filmes de Hitchcock. Quem viu a sua filmografia com atenção sabe que há muitos títulos onde não temos qualquer indício do cinema do gorducho.

  19. Lançarem pela Imagem é uma boa, pois apenas ela, a Europa e a Fox lançam o filme em tela inteira nos cinemas. só o lançamento em dvd pela imagem não sei se seria bom, pq essa ‘guerra sem cortes’, teria cortes por causa do fulscreen. e isso é bem ruim em se tratando de filmes do dE palma.

    Já o gorducho, deixem-no descansar em paz, já foi…se o De plama seguiu o Hitchcock, foi pq o Hitch nao ousou ir até onde o brian foi, q é mostrar td SEM PUDOR ALGUM. até pq depois da liberaçao sexual, Hitch perdeu seu publico, e foi desafalecendo…não importa, De palma ousou +, mto + em qqer filme q seja

  20. Luan, eu gosto muito do Hitchcock. É um diretor que respeito muito, embora eu tenha visto uma quantidade de seus longas que me desapontaram bastante. Mas eu concordo com o que você diz sobre o seu cinema e o do Brian De Palma. Hitchcock não ousava sempre nas temáticas de seus longas. E é sempre um prazer responder aos visitantes que passam por aqui! :-)

  21. A mim tb desapontaram pacas. e sabe onde está tanta inspiração do De palma? a mae dele flagrou o pai dele, num ato de puro voyeurismo dela, com outra
    oO
    daí q td sai de maneira tão natural do De palma nos filmes. e como ele sabe explorar esses nossos desejos bem!

    ps: acho q tu vai ter um bocado pra me responder ainda entao
    auishiaus

    embora eu n curta qdo dE palma faz filmes de época, como irá ser o próximo. apenas Os intocaveis é digno e como é

  22. Luan, também sabia sobre essa curiosidade acerca da vida e inspiração do Brian De Palma. E eu acho meio estranha essa idéia de fazer um prequel de “Os Intocáveis”. O filme com o Kevin Costner é um dos meus prediletos, mas não desejaria ver algo novo em relação do filme original. Mas é um projeto que ainda está sendo planejado, acho difícil acontecer.

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